
(Alep)
“Não está tendo professor no curso. Não fomos informados que teríamos aula remota. Agora, a aula passa na televisão. Acaba que ninguém faz nada. O professor dá aula por lives e não entendemos o conteúdo. Teremos provas e não sabemos o que estudar. Não há interação”. O depoimento do aluno Ulrike Dutra Lima de Fraga, do curso de Administração do Colégio Pedro Macedo, de Curitiba, resume a preocupação de educadores com as mudanças no Ensino Médio. Ele foi um dos participantes da audiência pública “Novo Ensino Médio: Os impactos da terceirização dos Cursos Profissionalizantes”, realizada nesta quinta-feira (31) pela Assembleia Legislativa do Paraná a pedido do deputado Professor Lemos (PT). De acordo com profissionais, as mudanças implantadas nos últimos anos têm prejudicado o ensino, possibilitado terceirizações e privatizações dentro da educação pública.
O encontro reuniu pesquisadores, professores, alunos, pais e sindicalistas. De acordo com o deputado, o debate tem o objetivo de defender a educação pública, os alunos e os professores. “Queremos professores na sala de aula e queremos qualidade na educação. Vamos tirar uma série de sugestões e encaminhamentos desse debate. Temos o compromisso de avançar para superarmos esse absurdo”, informou Lemos.
A pesquisadora Edinéia Navarro, do Observatório do Ensino Médio (Unespar) e da Rede em Pesquisa Paraná, definiu o que está sendo feito no Estado como uma “experiência”. Navarro faz parte de um grupo de pesquisadores espalhados por todo o País para analisar os impactos do processo de implementação do novo Ensino Médio. No Paraná, são 41 profissionais estudando o tema. “É importante fazermos reflexões a partir do que temos trazido. Desde 2016, temos apontado os problemas que o novo Ensino Médio traria para a sociedade. Alertamos que a bomba ia estourar no município e na escola. Essa reforma surge de um contexto antidemocrático, com desprezo pela participação da comunidade escolar. Além disso, há um contexto de avanço do setor privado sobre os fundos públicos”, explicou.
Para a especialista, a troca do ensino presencial para a realização de aulas remotas tem impactos profundos no aprendizado. “Alertávamos sobre o avanço do privado sobre o publico, mas não imaginamos que se daria de uma forma tão precária para nossos jovens. É importante termos clareza de que esses processos trazem problemas para a organização das escolas. Dizem que é a tecnologia fazendo a mediação daquilo que seria presencial. No entanto, tecnologia não faz mediação”, afirmou.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a Lei nº 13.415/2017 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, estabelecendo uma mudança na estrutura do Ensino Médio. A mudança amplia o tempo mínimo do estudante na escola, passando de 800 horas para 1.000 horas anuais (até 2022). Além disso, “define uma nova organização curricular, mais flexível, que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e oferta diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, os itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional”.
Ainda segundo o MEC, a mudança tem como objetivos garantir a oferta de educação de qualidade a todos os jovens brasileiros e de aproximar as escolas à realidade dos estudantes de hoje, considerando as novas demandas e complexidades do mundo do trabalho e da vida em sociedade.
