quarta-feira, 29 abril, 2026
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Carolina Macedo: Sobre gênios e esperança

Esta semana, rodando as redes sociais, me deparei com uma entrevista de Vinicius de Moraes. Nela, ele falava sobre os sentimentos mais importantes da humanidade. Começava pelo amor, mas dizia que a esperança era o sentimento coletivo mais importante, porque é ela que nos permite seguir em frente.

Nesta mesma semana, eu celebrava um nascimento na minha família e um amigo comentou: “Ter filhos hoje me parece loucura”. Acho que sempre foi, mas entendo que o cenário, por vezes, é mesmo catastrófico. Guerras, doenças, fome e miséria são constantes. Malucos com armas e canetas pesadas na mão estão em todos os lugares. Realmente, não parece um conto de fadas, mas ainda há esperança. Há de haver esperança.

Lembro que, na época da pandemia, o que mais me açoitava era a sensação de ausência de perspectiva; quando os 15 dias viraram 30, 60, 120… A chama da esperança parecia cada vez mais fraca e frágil a qualquer sopro. Passamos, aos trancos e barrancos, deixando muito de nós pelo caminho – em todos os sentidos. Mas a fé na ciência, na cura, na vacina e em um mundo melhor nos fez seguir.

Ainda que, na individualidade, todos já tenhamos passado por momentos difíceis – e ainda haja tantos outros a enfrentar -, sem uma esperança coletiva é realmente impossível a vida em sociedade. A esperança não é a certeza de dias perfeitos, mas de dias melhores dentro do possível. Em um ano de eleições, ao escutar Vinicius, lembrei-me de outro gênio, Ariano Suassuna, que dizia: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.

Que, entre os extremos dos pessimistas e dos otimistas, sigamos sempre assim: realistas, mas esperançosos.

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.

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