quarta-feira, 29 abril, 2026
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Café e jejum: erros antes de exames podem distorcer resultados

Assessoria – Realizar exames laboratoriais é uma das principais ferramentas para prevenção e diagnóstico precoce de doenças, mas um fator ainda pouco observado pelos pacientes pode comprometer diretamente a precisão dos resultados: o preparo antes da coleta. Hábitos comuns, como tomar café, praticar atividade física ou não respeitar o tempo de jejum recomendado, podem interferir em diversos indicadores e gerar alterações que não refletem necessariamente o estado real de saúde.

De acordo com o responsável técnico do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, Marcos Kozlowski, o preparo inadequado está entre as principais causas de distorções em exames laboratoriais. “Os exames são altamente sensíveis a variáveis externas. Pequenas mudanças na rotina, horas antes da coleta, já podem impactar resultados e, em alguns casos, levar a investigações desnecessárias ou até diagnósticos equivocados”, explica.

Entre os principais erros cometidos antes da realização de exames estão:

  • Não respeitar o tempo de jejum recomendado
    Mesmo quando o jejum não é obrigatório, ele pode ser necessário em alguns casos específicos. Fazer menos horas do que o indicado pode alterar principalmente glicose e triglicerídeos.
  • Consumir café ou bebidas antes da coleta
    O café, mesmo sem açúcar, pode estimular alterações metabólicas e interferir em exames como glicemia e cortisol.
  • Praticar atividade física intensa antes do exame
    Exercícios podem elevar enzimas musculares, alterar glicose e até impactar exames hormonais.
  • Consumir álcool no dia anterior
    Bebidas alcoólicas interferem principalmente em exames de fígado, triglicerídeos e glicose.
  • Usar medicamentos sem orientação ou sem informar o laboratório
    Alguns remédios podem alterar resultados e precisam ser considerados na análise.
  • Não seguir orientações específicas (como dieta prévia)
    Alguns exames exigem restrições alimentares específicas, que muitas vezes são ignoradas.

Essas variáveis impactam especialmente exames como glicemia, colesterol e triglicerídeos, testes de função hepática, hormônios, creatinina e enzimas musculares. “O laboratório entrega um dado técnico, mas esse dado precisa ser interpretado dentro de um contexto. Quando o preparo não é adequado, o resultado pode não representar a realidade clínica do paciente”, ressalta Kozlowski.

Uma dúvida comum entre os pacientes diz respeito à necessidade de jejum para a dosagem de glicose. Segundo o especialista, em muitos casos o exame já pode ser realizado sem jejum, especialmente em avaliações de rotina. No entanto, a indicação ainda depende do objetivo da análise e do conjunto de exames solicitados. “Os avanços na medicina laboratorial trouxeram mais flexibilidade, mas isso não elimina a necessidade de orientação adequada. Cada exame tem uma finalidade, e o preparo deve ser individualizado”, afirma.

Para evitar erros e a necessidade de repetir exames, a recomendação é seguir rigorosamente as orientações fornecidas pelo laboratório ou pelo médico. “Em caso de dúvida, o ideal é buscar orientação antes da coleta. Um preparo correto garante resultados mais confiáveis e contribui para uma avaliação mais precisa da saúde”, finaliza.

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