domingo, 28 junho, 2026
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TEMER ENTROU NA HISTÓRIA, FLEXIBILIZOU “A VOZ DO BRASIL”

“A Voz do Brasil” (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
“A Voz do Brasil” (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Esqueça o golpe, a impopularidade, a mala de R$ 500 mil, o “tem que manter isso, viu?” Há dois meses, o presidente Michel Temer imprimiu seu nome na história ao sancionar a lei que flexibiliza a “Voz do Brasil”, o noticiário mais odiado (e mais achincalhado) do rádio brasileiro. O ato meritório passou despercebido. E não deveria.

BESTIÁRIO

Nunca antes na história houve um presidente capaz ou corajoso o suficiente para interromper o noticioso deveras inútil do Executivo, do Judiciário e principalmente do Legislativo, aquele a reproduzir o bestiário de deputados e senadores na tribuna, não risível porque desacompanhado da claque gravadas dos humorísticos.

NADA DE NOVO NO FRONT

Getúlio Vargas: pai do programa nacional de rádio
Getúlio Vargas: pai do programa nacional de rádio

Durante 83 anos a “Voz do Brasil” singrou incólume as ondas do rádio, criada por Getúlio Vargas com um propósito definido: atualizava as notícias do que era um estado de exceção, para depois abastecer o brasileiro de informações frescas do front da Segunda Grande Guerra, ainda que, em 1944, quando os pracinhas brasileiros foram à luta, já não havia mesmo nada de novo no front.

NOS CANTÕES DO BRASIL

As emissoras de rádio reclamam com razão. “A Voz do Brasil” invadia a programação justamente em horário nobre. Fim de tarde começo da noite, quando o ouvinte das grandes cidades está preso no congestionamento e quer saber notícias do trânsito e do dia. Os legisladores, no entanto, entendiam, que a “Voz do Brasil” prestava um serviço aos habitantes dos cantões do Brasil aonde as notícias (oficiais) chegavam por meio de programação única e horário único, impingidas ditatorialmente aos seus ouvidos.

VERDADE ALTERNATIVA

A esquerda brigou feio com o programa oficial até chegar ao poder em 2003. A partir daí encontrou na “Voz do Brasil” uma forma de democratizar a informação passando aos ouvintes o que acreditava ser o fato alternativo da verdade ou a verdade alternativa dos fatos. Nem a “Rádio Moscou” ou a “Voz da América” ousaram tanto.

ORA, POIS, FATURAR

Temer oficializou uma medida que algumas rádios já vinham adotando através de decisões judiciais: flexibilizou os horários. Agora, a “Voz do Brasil” pode ser ouvida entre 19h e 22h, deixando margem para que as emissoras utilizem o horário nobre – a exceção são as rádios públicas e legislativas, que continuam acorrentadas ao “Guarani das Sete da Noite” – para inserir comerciais, colocar no ar informações de utilidade pública e, ora pois, faturar, que ninguém vive de “estocar” vento (copyright Dilma Rousseff).

CAMPEÃ DE “ODIÊNCIA”

Zé Rodrix: a “Última Voz...”
Zé Rodrix: a “Última Voz…”

No ápice da picardia contra a campeã de “odiência”, o cantor e compositor Zé Rodrix uniu-se ao “Joelho de Porco”, uma banda de punk-rock paulistana, e compôs “A Última Voz do Brasil” apresentada em um festival da Globo em 1985. A letra dizia assim: “São quinze para as sete. Tá quase na hora. De ouvir pelo rádio a última voz do Brasil.

Calem a boca, cantoras do rádio. Tá quase na hora da última voz do Brasil. Vocês não vão saber de nada mais! Em Brasília, 19 horas. O preço da soja, dilúvio do acre, panela no fogo, barriga vazia. E aquela folia da última voz do Brasil”.

Ok, não é exatamente a última “Voz do Brasil”, mas é o fim “flexibilizado”. Quem dera o apocalipse fosse assim.

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