terça-feira, 23 junho, 2026
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Álbum de figurinhas vira estratégia organizacional em empresa

Assessoria – Num momento em que as empresas gastam fortunas em plataformas digitais de engajamento, pesquisas de clima e programas de team building elaborados, uma distribuidora de lubrificantes de Curitiba encontrou em figurinhas a resposta para uma das maiores questões da gestão de pessoas: como fazer colaboradores de setores diferentes interagirem?

A Acipar, que movimenta 9,6 milhões de litros de lubrificantes por ano e tem cerca de 100 colaboradores no Paraná, lançou um álbum de figurinhas interno com os rostos da própria equipe. A ação nasceu ancorada no clima da Copa do Mundo, começou como uma brincadeira mas acabou revelando algo que especialistas em cultura organizacional já defendem há tempos: as conexões mais duradouras entre pessoas dentro de uma empresa costumam nascer das interações mais simples.

A mecânica por trás da ideia

O funcionamento é simples. As figurinhas foram distribuídas aleatoriamente entre todos os colaboradores. Para completar o álbum, cada pessoa precisa circular pelos setores, conversar e trocar com colegas. Não existe atalho: é necessário interagir.

Os funcionários foram divididos em quatro perfis comportamentais: Gatos, Tubarões, Lobos e Águias, numa referência ao universo de times e escalações que domina o imaginário brasileiro durante a Copa do Mundo. Cada perfil representa características distintas de comportamento e forma de trabalhar, o que transforma a troca de figurinhas também numa descoberta sobre si mesmo e sobre o colega.

“A gente queria aproveitar a energia da Copa, esse senso de time que o brasileiro carrega no sangue, e trazer isso para dentro da empresa. Mas a intenção sempre foi mais profunda do que uma brincadeira. Queríamos que as pessoas se vissem como parte de um elenco, cada uma com um papel único e necessário”, conta Luiz Alberto Gomes Jr., diretor-executivo da Acipar.

O que mais me surpreendeu foi ver colaboradores que trabalham aqui há anos descobrindo coisas sobre colegas que sentam a dez metros de distância. Isso não tem preço“, afirma Gomes Jr.

Cultura se constrói no corredor

O conceito por trás da ação não é novo para quem estuda comportamento organizacional. A ideia de que cultura empresarial se manifesta nas pequenas interações cotidianas, e não apenas em grandes eventos ou declarações institucionais, é defendida por pensadores como Edgar Schein, referência mundial no tema.

O que a Acipar fez foi criar um pretexto para que essas interações acontecessem de forma mais intensa e entre pessoas que normalmente não conversariam no dia a dia. O resultado foi visível nos corredores: colaboradores circulando entre setores, conversas que se estendiam além da troca de figurinhas, e um senso crescente de que a equipe é maior e mais diversa do que cada um imaginava.

“Percebemos pessoas descobrindo talentos e características em colegas que desconheciam completamente. Os colaboradores acabam descobrindo hobbies, e gostos em comum. Essas conexões constroem algo que nenhum treinamento consegue substituir”, diz o diretor-executivo.

Inovação sem complexidade

O mercado de soluções de engajamento corporativo movimenta bilhões de reais no Brasil. Plataformas de reconhecimento entre pares, aplicativos de comunicação interna, programas de pontuação por metas comportamentais, a oferta é vasta e, muitas vezes, cara.

A experiência da Acipar levanta uma questão relevante para os profissionais de RH: em que medida a complexidade de uma solução é proporcional ao seu impacto real na cultura? A resposta que a distribuidora paranaense encontrou sugere que nem sempre. Uma figurinha com o rosto de um colega pode ser mais poderosa do que um dashboard de engajamento, dependendo do que a empresa está tentando construir.

“A gente não precisou de tecnologia sofisticada. Precisou de criatividade e acreditar que as pessoas querem se conectar,  só precisam de um motivo”, resume Gomes Jr.

O legado da iniciativa

A ação ainda está em andamento na Acipar, mas os efeitos já são percebidos pela liderança. O trânsito espontâneo entre setores aumentou. As conversas nos espaços comuns ficaram mais frequentes. E, talvez o sinal mais revelador, colaboradores passaram a comentar sobre os perfis comportamentais uns dos outros, o que indica que a linguagem dos quatro times começou a ser incorporada ao dia a dia.

Para o RH, esse é o indicador mais valioso: quando uma ação deixa de ser um evento pontual e passa a influenciar a forma como as pessoas se enxergam dentro da organização.

“No fim, o álbum vai ser completado e a Copa vai acabar. Mas as conversas que começaram aqui, essas ficam”, conclui Luiz Alberto Gomes Jr.

A Acipar é distribuidora autorizada Moove para Lubrificantes Mobil e produtos Tirreno no Paraná, com mais de 18 mil clientes na carteira e cerca de 100 colaboradores.

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