terça-feira, 12 maio, 2026
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TEM QUE MANTER ISSO, VIU?’

Clovis Rossi: quem ganhou com o populismo
Clovis Rossi: quem ganhou com o populismo

O apelo do presidente Michel Temer a Joesley Batista no adiantado da noite do Jaburu foi a frase do ano. O tom é inflexível, calmo, de uma exigência insinuante, jamais interrogativo apesar do sinal gráfico indagador. Temer mandava, não pedia e queria para já. Que Batista se encarregasse de manter Eduardo Cunha calado através da única linguagem que o ex-deputado entende. Money, money, money.

ESPERANÇOSOS SAZONAIS

O ano chega ao fim e aquilo que os esperançosos sazonais anseiam é que a indagação do presidente ganhe a sua negativa. Há por aí agora mesmo, pré-candidatos e otimistas incorrigíveis desenhando um mundo melhor.

Folgo em me apanhar distante desse grupo. Realista, acima das paixões futebolísticas e do ódio seminal a quem pensa diferente.

PÉS E MÃOS FINCADOS NO CHÃO

Ivan Lessa costumava tratar o pragmático nacional como um sujeito com os pés fincados no chão. E as mãos também. A imagem é hilária. Os analistas políticos se tornaram tão teimosamente entrincheirados em suas posições, contra ou a favor, que só João Pereira Coutinho nos salva. Trata-se de um português de pensamento luminar, que escreve no Diário de Notícias, de Lisboa, e semanalmente na Folha de S. Paulo. Que tenhamos que importar uma cabeça pensante diz muito sobre o que restou da nossa crítica política em tempos bicudos.

RICOS E MAIS RICOS

Clóvis Rossi, semiaposentado, nos dá a dimensão do que foi o reinado do “partido dos pobres e proletários”. Nunca na história desse país os ricos ficaram tão ricos. No período Lula/Dilma, os ricos abocanharam 55% da riqueza produzida pelo Brasil ante 47% dos similares dos EUA, um país que vem crescendo em desigualdade.

Michel Temer: a frase do ano
Michel Temer: a frase do ano

MISÉRIA MULTIDIMENSIONAL

O IBGE acrescenta: hoje, 65% dos brasileiros vivem em “miséria multidimensional”. O que significa isso? Significa que falta tudo.

Comida, educação, saúde, saneamento.

O CANDIDATO DELES

Se os ricos pensarem bem, portanto, cravam o voto em Lula no ano que vem. Ou no seu preposto. “Se eu fosse rico”, diz Rossi, “torceria pra que Luiz Inácio Lula da Silva fosse absolvido pelo TRF4 e, por extensão pudesse se candidatar. E votaria nele”.

PALANQUEIRO

Sim, incautos, a guerra às elites está restrita ao palco e ao palanque, com voz embargada, rouca e pausada.

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