sexta-feira, 3 abril, 2026
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SÓ O IPPUC SALVA: A FEIRA DO LARGO DA ORDEM EM NOVA ROUPAGEM

Jaime Lerner, Carlos Eduardo Ceneviva, Rafael Dely, Cassio Taniguchi, Manoel Isidro Coelho e o Livro “Memória da Curitiba Urbana”
Jaime Lerner, Carlos Eduardo Ceneviva, Rafael Dely, Cassio Taniguchi, Manoel Isidro Coelho e o Livro “Memória da Curitiba Urbana”

Esqueça os governos, a política e os humores dos homens públicos. Há 53 anos, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, o IPPUC, apresenta soluções para a cidade de Curitiba sem dar muita pelota para o alcaide de plantão.

Exceção foi Jaime Lerner, mas ele poderia muito bem se chamar Frankenstein. Confunde-se ao criador e à criatura do instituto desde os seus primórdios, em 1965.

SOL QUENTE, GAROA FRIA

Foi no IPPUC que, agora, encontrou-se solução moderna para a Feira do Largo da Ordem.

Há muito, as barraquinhas de artesanato reclamavam uma nova roupagem e os turistas, por sua vez, gritavam uma solução para os apertos em hora de pico e as intempéries que afugentavam, sob sol quente ou chuva fria, aqueles que se aventuravam a um passeio dominical entre as barracas, os camelôs e as mesas de bares.

GUARDA-CHUVA

O novo projeto prevê barraquinhas com toldos retráteis que ofereçam sombra e abrigo aos passantes e ainda um desmonte sobre um único eixo, o que as faz semelhantes a um guarda-chuva. É uma solução bem-vinda às desconjuntadas e pouco atrativas caixa de ferro e lona plástica que devem ainda abrigar os artesãos até o fim deste ano, quando será iniciado o processo de renovação das 1.250 barraquinhas.

RUAS EXCLUSIVAS

Desde 1970, a feirinha é uma espécie de marca indelével da Curitiba artesã. Demonstra também o quanto a cidade esteve à frente de seu tempo, ao menos em certo período, reservando ruas exclusivas para o passeio e não para o trânsito de veículos.

LEONARDO DE HOJE

Se Jaime Lerner deu o primeiro impulso ao projeto, ele agora tenta replicá-lo. Em 2006, foi um dos expositores na mostra “Leonardo da Vinci: Homem, Inventor, Gênio”, em Chicago. Expôs suas ideias em uma seção paralela, a “Modern Day Leonardos” (Leonardos de Hoje) apresentando a “Rua Portátil”, um conjunto de módulos sobre rodinhas que vendiam todo tipo de coisa – livros, peças de artesanato, etc. – e que, ao fim do dia, fechava-se e era recolhido.

CRACOLÂNDIA

Pois essa solução foi levada para o prefeito de São Paulo, João Doria, para revitalizar a cracolândia e pode ganhar fôlego com a contratação do escritório de Lerner para recuperar o decrépito centro velho da capital paulista.

CONFIRA: “MEMÓRIA DA CURITIBA URBANA”

Se existe tantos motivos para que saudemos os 80 anos de Jaime Lerner, eis mais um.

A propósito: recomendo a quem quiser conhecer melhor os momentos da revolução urbana começada por Lerner nos 1970, a leitura da série de livros “Memória da Curitiba Urbana”. A obra é hoje rara, pode ser encontrada no IPPUC, que a editou. Fui seu editor.

O livro recolhe depoimentos de notáveis da história de Curitiba moderna, na fala de Fanchette Rischbieter, Jaime Lerner, Rafael Dely, Gustavo Gama Monteiro, Lubomir Ficinski, Carlos Eduardo Ceneviva, Reinhold Stephanes, Manoel Coelho, Cassio Taniguchi, dentre outros.

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