
Há favas contadas na composição do secretariado de Beto Richa: o secretário de Planejamento, Silvio Barros, logo deixará o cargo. A dúvida reside apenas em saber quando haverá a mudança. Ou daqui a uns 30 dias, ou até em 2 de junho, o “dead line” para desincompatibilização. Seu destino é candidatar-se a prefeito de Maringá, ainda sem partido definido. Ontem, 14, o 2 de junho estava “quente” no rol de especulações.
A certeza é uma só, a de que seu substituto será seu irmão, o deputado Ricardo Barros.
A notícia foi dada em primeira mão pelo blog de Fábio Campana, sexta-feira, como sempre informadíssimo sobre os meandros da política paranaense.
O deputado federal Ricardo Barros, PP, um dos 100 nomes mais influentes no Congresso Nacional, segundo avaliações respeitáveis, como a do DIAP, irá, assim, trocar posição de liderança em plano nacional, para voltar ao Governo Beto Richa.
Ele é um dos vice-líderes de Dilma, e agora pode incluir em seu currículo o fato de ter sido o relator da Lei Geral do Orçamento, um enorme exercício de detalhes sobre como e onde o poder público tem de colocar nossos tributos.
Dizem os que entendem do riscado Orçamento da União que o trabalho de Ricardo Barros foi “uma verdadeira tarefa de Hércules”. Especialmente considerando os tempos de incertezas e tumultos políticos nos quais foi sendo montado, sob rumores de “impeachment” da presidente.
Envolvido, assim, até o pescoço em temas da política nacional, Ricardo deve preferir mesmo a data de 2 de junho para assumir o lugar do irmão.
PRAGMÁTICOS
Assim, quando Ricardo substituir o também engenheiro civil Silvio – seu irmão – estará acontecendo a troca de um pragmático por outro não menos.
Os dois são conhecidos pela objetividade e praticidade com que enfrentam situações administrativas. Tal como já o mostraram como prefeitos de Maringá, onde a família ufana-se de ter montado uma espécie de “escola de administração” única, muito bem-sucedida.
Silvio Barros não esconde, quando indagado por essa maneira de administrar a coisa pública, que Maringá, graças a ela, é toda diferenciada. Por exemplo, neste ano, a Prefeitura da outrora chamada “Cidade Canção” investe 18% de sua arrecadação em obras. Isso num tempo de crise e quando a regra é as prefeituras clamarem por falta de recursos.
Ou, como é o caso de Curitiba – observo eu -, da permanente reclamação da “herança” de endividamento herdada de Luciano Ducci.
– Nossa média em Maringá foi investir 22% em obras nos últimos anos, recorda Silvio, quando indagado sobre o futuro político da família. Nele inclui o da vice-governadora Cida Borghetti, casada com Ricardo, e o de Maria Victoria, filha do casal, deputada estadual.
Segundo Silvio, o que importa para o grupo “é contar a história de Maringá e seu sucesso administrativo”.
Com esse projeto, o de contar do sucesso de Maringá, pode-se incluir a disputa do Governo do Paraná, um dia.
“Para ganhar ou não”, opina o secretário.
“O que importa é apontar caminhos”, garante. Ele mostra uma convicção quase religiosa sobre o papel pedagógico que o seu grupo tem de exercer na vida do Paraná.
Cida ocupará em 2018 o Governo por 8 meses, caso Beto Richa desincompatibilize-se para candidatar-se ao Senado. E ela tentar a reeleição.
HISTÓRICO
No portfólio de Silvio Barros como prefeito de Maringá, de 2005 a 2012, há números que falam com eloquência. E ele não se nega em exibi-los, tal como a realidade encontrada ao iniciar o mandato: assumiu a Prefeitura tendo ela muitas dívidas, e 25% com “restos a pagar’. No entanto, fechou o primeiro ano no azul.
Com autoridade em gestão da coisa pública, Silvio alinha alguns passos essenciais dessa sua escola de administração: em primeiro lugar, estabelecer uma gestão fiscal impecável, segurando gastos supérfluos, atendo-se ao essencial; parceria com a chamada sociedade civil organizada para o acompanhamento dos gastos do Município, para o que foi criado, em Maringá, o chamado Observatório Social, para acompanhar gastos do erário, editais, licitações e outros serviços.
Silvio criou na Prefeitura de Maringá o cargo de controlador (auditor).
SAÚDE PÚBLICA
Não sei até que ponto a fé religiosa de Silvio o influenciou, mas o fato é que sua escola de administração implantou na cidade programas definitivos e ninguém mais pode eliminá-los. Têm alcance social extraordinário. O bom exemplo são as academias da Terceira Idade (ATI), do programa Maringá Saudável; e as campanhas contra o tabagismo e pela alimentação saudável da população, num trabalho educativo de enorme alcance e resultados notáveis.
O universo de mudanças que Silvio pode exibir em Maringá, de 2005 a 2012, inclui realidades como uma gestão fiscal rigorosa; parcerias com a sociedade civil; a criação do cargo de auditor da cidade de Maringá, a partir do Observatório Social; capacitação de pessoal para a obtenção de recursos (eles existem, especialmente no Governo federal, mas faltam projeto); dispor o erário de 20% para oferecer a contrapartida a recursos federais; planejamentos a longo prazo, como a cidade faz: “Maringá faz planos para 2047”, explica Silvio.
JOGO DE XADREZ
Silvio Barros, que será personagem de livro Vozes do Paraná, volume 8, é um ardoroso admirador do irmão mais velho, Ricardo, que reputa como exímio articulador administrativo e político:
– Ele sempre foi assim, matemático, um homem do xadrez. Quando não tinha companheiro para jogar xadrez, ele jogava sozinho… conta Silvio.
Os pilares de uma nova administração pública codificados por Silvio – “o que já deu certo em Maringá, pode dar certo no Paraná” – inclui a reestruturação da força de trabalho do Estado; a utilização de novas tecnologias para melhorar a qualidade de ensino nas escolas públicas, especialmente em áreas como a da Matemática; transparência e participação da sociedade, com mecanismo para acompanhar obras públicas e investimentos.
Os Barros são absolutamente pragmáticos.
Isso é qualidade que Silvio não nega.
Ele, Silvio, não tem pretensões acadêmicas (“sou um mero graduado”). Não se pode compará-lo com um dos pilares do Planejamento governamental do Paraná, Belmiro Valverde Jobim Castor, um acadêmico pós doutor pela USC em administração pública, mas que foi, igualmente, homem de grande senso prático, tendo sido o verdadeiro “fac totum” do governo Jayme Canet Junior.
No entanto, Belmiro e Silvio têm muito em comum, como a absoluta defesa dos interesses do Estado e uma grande preocupação com o gigantismo do aparelho estatal.
