sábado, 27 junho, 2026
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SEM SAÍDA, FRUET QUER VOLTAR À CÂMARA FEDERAL

Gustavo Fruet: de volta ao legislativo.
Gustavo Fruet: de volta ao legislativo.

O ex-prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), cansou de citar Fernando Pessoa e, especialmente, verso do poema “Lisbon Revisited” quando ainda era um postulante à prefeitura rejeitado pelas siglas que o tinham como filiado (PMDB e, depois, PSDB). “Que vão ao diabo sem mim”, dizia em entrevistas de toda sorte.

A VERSÃO DO HOMEM… SEGUNDO O DIABO

Agora, candidato a deputado federal, retorna ao reduto onde concentram-se espécies da melhor versão do homem, segundo o diabo. Eis o político.

TAL PAI, TAL FILHO

Fruet notabilizou-se na CPI dos Correios, ainda no governo Lula, mas tinha obsessão pela prefeitura de Curitiba, não só por ser este um cargo executivo, mas porque, assim, repetia a sina do pai, Maurício Fruet, ele mesmo um prefeito da cidade.

PREGADOR DE PEÇAS

Em seu escritório, nos arredores da praça Rui Barbosa, Fruet, o pai, exibia nas paredes charges emolduradas, cujo personagem principal era ele mesmo. Maurício Fruet gostava de pregar peças, de imitar colegas e de caricaturar em profusão suas ações administrativas. E todos em seu entorno se divertiam. A cidade, nem tanto.

AGRADAR A ESTE E AQUELE

O filho, Gustavo, tentou lhe seguir o rastro, mas sempre pareceu disperso demais e político de menos (no sentido de agradar a X e Y) no quesito comunicação. Sem a matraca a anunciar-lhe os bons ventos, sua administração foi a pique, como fora antes a nau capitânia de Rafael Valdomiro Greca de Macedo.

COM MANDATO

Fruet quer voltar à Câmara de Deputados agora porque é a alternativa que lhe resta. Governador, jamais. Senador, improvável. Se a prefeitura do improvável Rafael Greca fracassar, ele tenta a sorte como candidato a prefeito em 2020, mas desde que a segurança do mandato lhe garanta a aventura.

UM INCONVENIENTE

Maurício Fruet: político que não modelou o filho.
Maurício Fruet: político que não modelou o filho.

O ex-prefeito poderia estar tentando conquistar votos em outra legenda que não o PDT. Seria um alívio fugir da sombra de Ciro Gomes, porém as mudanças de partido sempre lhe significaram um inconveniente. Fosse por ele estaria até hoje no PMDB, mas havia um Requião no caminho. Assim como Rafael Greca, o pedetista Gustavo Fruet já foi um campeão de votos (bateu na casa dos 200 mil na eleição à Câmara dos Deputados), mas não se espere um repeteco. Greca, em seu purgatório, minguou a 50 mil votos na eleição a deputado estadual e depois nem isso. Renasceu como a Fênix em uma prefeitura que, aos olhos do curitibano, Fruet deixara em cinzas.

ANO SABÁTICO

Há de se supor que, depois de ano sabático, Fruet esteja disposto a construir a carreira política, avaliar erros e acertos, e reconquistar o voto que perdeu já no primeiro turno, quando da campanha à reeleição em 2012.

Tudo bem, que os eleitores mandem os políticos ao diabo. Mas não com ele.

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