EXPLICANDO BRIGAS

Não poucos leitores deste espaço me têm perguntado sobre quais “suas intenções”, ao publicar essa série que, muitos deles, consideram “prestar um desserviço à religião”.
Como faço habitualmente, as matérias, polêmicas ou não, têm uma finalidade: informar e esclarecer leitores, e compartilhar com eles pontos de vista. Se possível, espero que, em certos casos exerçam papel didático e até sinalizem para situações perigosas que prejudicam a comunidade, ou danosas às pessoas individualmente.
No caso dessa abordagem, um tanto dura sobre o que boa parte das igrejas têm feito no Brasil (não todas, é claro) em aliança com o poder político – em busca de poder, dinheiro e votos -, não fujo desse propósito. Em certos casos, reconheço, posso até ser considerado “impiedoso”. E se assim sou, é porque não aceito que se brinque com a boa fé e as crenças dos cidadãos, especialmente os menos equipados culturalmente. Os mais pobres são as maiores vítimas desses “camelôs do altar”.
Dito isto, cito: no calor dos embates políticos desferidos em Brasília, recorro a dois momentos significativos do quanto as crenças religiosas podem ser utilizadas na belicosidade reinante no Planalto, no momento.
Na segunda-feira, por exemplo, em longa entrevista à Folha de São Paulo, a presidente afastada Dilma Rousseff alertou: disse que Michel Temer terá que “se ajoelhar diante de Eduardo Cunha”, que disse, ser o verdadeiro governante de hoje.
Dilma, ex-guerrilheira e ligada ao materialismo científico, nunca professou fé religiosa.
Quando criança foi criada no catolicismo, aluna que foi (de classe média alta) do Sion de Belo Horizonte.
Se não tem religião declarada, Dilma, por via das dúvidas, sempre tratou com especial carinho 3 imagens de Maria Virgem, que ganhou. E as levou para seu apartamento em Porto Alegre.
Eduardo Cunha, ex-crente da Sara Nossa Terra, do bispo Rodovalho, agora membro da poderosa Assembleia de Deus, devolveu no dia seguinte o comentário de Dilma com outra manifestação de seu espírito religioso: disse que ele é quem reza, ajoelhado, agradecendo a Deus pela queda de Dilma…
Pois é, assim é a fé associada à arena política brasileira.
Leia mais:
Religiões buscam votos, dinheiro e poder – 1ª parte
Religiões buscam votos, dinheiro e poder – 2ª parte
Religiões buscam votos, dinheiro e poder – 3ª parte
Religiões buscam votos, dinheiro e poder – 4ª parte
