
O texto acima é extraído da coluna de Eliane Cantanhêde, nesta sexta (16), no Estadão. A ideia (abilolada) é do PT que achou um jeito de tirar uma casquinha e culpar “batedores de panelas” e “coxinhas” pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL). Como diz Eliane, “seria só patético, não fosse um marketing equivocado”.
OPORTUNISMO DE BOTEQUIM
A sociedade não vai aceitar a partidarização – “oremos” para que políticos de todas as greis sejam comedidos. Ou silenciem. Não é hora do marketing equivocado, o oportunismo de botequim.
PODER DO TERROR
Sim, Marielle criticava as ações brutais da polícia, mas também não pactuava com as decisões judiciais que devolviam traficantes às favelas sem medir as consequências do “poder do terror”, que ordena execuções, cobra taxa de proteção que ninguém pediu e manda baixar as portas do comércio.
AUTORITARISMO
Há quem diga que se o crime foi executado por policiais, é “culpa do Bolsonaro”. Se foi de bandidos da favela, “a culpa é do Lula”. É um simplismo abestalhado que, em última instância, afaga o autoritarismo clamado à esquerda e à direita, em protestos contra a Lava Jato ou nos apelos ao retorno da ditadura.
CALDO GENÉTICO
Marielle era parda, de origem negra. Não pintem um político pela sua cor. Não a nivelem ao mundo do racismo que o Brasil decidiu importar das ‘democracias raciais’. Somos um país miscigenado. Marielle era tão branca quanto negra. Era pobre, como são brancos, negros e pardos. Lutou bravamente para galgar posições na vida. E era linda como são os mestiços brindados com o melhor do nosso caldo genético.

A RAÇA É HUMANA
Não é hora de dividir raças – até porque a raça é uma só, a humana – na luta pela punição aos assassinos da vereadora. No momento em que a classe política é execrada, uma vereadora de primeiro mandato, morta covardemente, une contrários e desmistifica as generalizações.
UMA LUZ
Para muitos é uma guerra declarada, para outros é um lampejo de democracia que ganha fôlego. Fiquemos com a segunda opção.
