terça-feira, 12 maio, 2026
HomeSaúde e bem-estarFibromialgia: saiba os sintomas e tratamentos da doença

Fibromialgia: saiba os sintomas e tratamentos da doença

Assessoria – O Dia Mundial de Conscientização sobre a Fibromialgia, celebrado em 12 de maio, reforça uma luta de milhões de pessoas em todo o planeta que diariamente precisam lidar com dores que impactam, de maneira crônica, a qualidade de vida. Segundo uma estimativa da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), cerca de 2,5% da população mundial é afetada pela doença, em especial mulheres entre 30 e 50 anos de idade.

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada que gera dor musculoesquelética difusa e sintomas associados, como fadiga persistente, distúrbios do sono, alterações cognitivas e até mesmo aspectos de ansiedade, depressão e problemas gastrointestinais. A sobreposição com outras condições e a ausência de marcadores laboratoriais específicos tornam o diagnóstico predominantemente clínico.

No Brasil, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde baseado em dados da SBR, 3% da população brasileira convive com a fibromialgia. Considerando a população estimada pelo IBGE em aproximadamente 213 milhões de habitantes em 2025, o percentual equivale a cerca de 6,4 milhões de brasileiros portadores da doença.

Carlos Trindade, coordenador de pós-graduação de Clínica em Dor da Afya, a serviço da Afya Educação Médica Curitiba, explica quais são os principais sintomas da fibromialgia, as formas de diagnóstico, tratamento e convivência com os efeitos da doença no dia a dia.

Quais são os primeiros sinais que a pessoa deve prestar atenção, que podem ser o princípio de uma fibromialgia?

“Ela começa com sinais que parecem desconexos e justamente por isso são ignorados por anos. Os principais marcadores são o sono não restaurador (a pessoa dorme oito horas e acorda exausta), fadiga desproporcional, dor muscular que muda de lugar a cada semana, rigidez matinal que melhora com o movimento e algo que os pacientes chamam de névoa mental: dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação de ‘câmera lenta’.

Quando os sintomas começam a se sobrepor de forma persistente, especialmente em momentos de estresse físico ou emocional, é sinal de que o sistema nervoso central começou a processar a dor de forma amplificada, o que chamamos de sensibilização central, quando o cérebro deixa de ser um receptor passivo de estímulos e passa a gerar a experiência dolorosa por conta própria. O erro mais comum, aqui, é tratar cada sintoma isoladamente, pois a fibromialgia é uma desregulação integrada e precisa ser lida assim desde o início”.

Como funciona o diagnóstico e qual deve ser o entendimento do paciente sobre essa “nova rotina”?

“Não existe exame de sangue ou imagem que feche o diagnóstico, isso é algo que o paciente precisa entender. Ele se baseia em alguns critérios do Colégio Americano de Reumatologia, que avaliam a distribuição da dor pelo corpo, a duração mínima de três meses dos sintomas e a presença de manifestações como fadiga, distúrbio do sono e sintomas cognitivos.

O diagnóstico real, que muda o curso do tratamento, é a investigação sistêmica do que mantém o sistema nervoso sensibilizado: meta-inflamação de baixo grau, deficiências nutricionais que afetam neurotransmissão (vitamina D, magnésio, ômega-3), disfunção mitocondrial, eixo intestino-cérebro alterado, sobrecarga psicoemocional crônica. A fibromialgia não é uma condição psicogênica — é uma condição biológica com expressão integrada”.

Existe cura para a fibromialgia? Se não, como funciona o tratamento, tanto medicamentoso quanto terapias/atividades?

 “O paciente precisa entender que, quem espera um remédio resolver, não melhora. A fibromialgia exige uma reorganização do estilo de vida, não um remédio diário: sono regular e profundo, atividade física graduada, nutrição anti-inflamatória, manejo do estresse e suporte multiprofissional. Cura, no sentido clássico, não existe; o que existe é a remissão clínica sustentada, na qual pacientes bem tratados podem passar anos com sintomas mínimos ou ausentes.

O tratamento se sustenta em frentes integradas, não em uma única intervenção. Na medicamentosa, o papel é pontual, com antidepressivos duais, anticonvulsionantes específicos e moduladores de sono. Na frente comportamental, atividade física regular e de baixo impacto, regulação do sono, terapia cognitivo-comportamental e manejo do estresse. Já na frente metabólica e nutricional, é preciso corrigir deficiências nutricionais, reduzir inflamação sistêmica de baixo, dar suporte ao eixo intestino-cérebro e modular a resposta ao estresse via ritmo circadiano. São intervenções complementares.

Existe ainda uma frente intervencionista e tecnológica, com infusão venosa de medicamentos de ação moduladora sobre a sensibilização central, terapias com laser, ondas de choque, magnoterapia e neuromodulação”.

Fibromialgia ainda enfrenta desinformação e diagnóstico tardio, alerta especialista no Dia Nacional de Conscientização

Reumatologista Eduardo Paiva

Dor no corpo inteiro, cansaço constante, sono ruim, ansiedade e dificuldade para manter a rotina. Apesar de afetar milhões de brasileiros, a fibromialgia ainda é cercada de desinformação, dúvidas e preconceitos. Especialistas alertam para a importância de ampliar o conhecimento sobre a doença e combater o diagnóstico tardio.

De acordo com o reumatologista Eduardo Paiva, muitos pacientes ainda passam anos procurando respostas até chegar ao diagnóstico correto. “A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica do corpo inteiro, causada por um aumento da sensibilidade à dor no sistema nervoso central. A pessoa sente mais dor porque o sistema nervoso está regulado para sentir mais dor, principalmente dor muscular”, explica.

Segundo o médico, além da dor generalizada, a doença costuma provocar diversos sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida. Entre eles estão sono não reparador, fadiga intensa, ansiedade, depressão e alterações funcionais, como maior sensibilidade intestinal e urinária.

A Sociedade Paranaense de Reumatologia reforça que um dos principais desafios ainda é a falta de informação sobre a doença, inclusive entre parte da população e profissionais da saúde. Estima-se que a fibromialgia atinja cerca de 3% da população brasileira, com predominância em mulheres.

O diagnóstico da fibromialgia é essencialmente clínico e depende de uma avaliação detalhada do paciente. “O diagnóstico acontece por meio de uma boa conversa, histórico clínico e exame físico. Os exames laboratoriais e de imagem não confirmam fibromialgia. Eles servem principalmente para afastar outras doenças e precisam ser interpretados com cautela”, ressalta Dr. Eduardo Paiva.

Outro ponto frequentemente destacado pelos especialistas é que o tratamento vai muito além dos medicamentos. A abordagem considerada mais eficaz envolve estratégias não farmacológicas e mudanças no estilo de vida.

“O principal tratamento da fibromialgia é não medicamentoso. Envolve educação sobre a doença, atividade física aeróbica, alongamentos e terapia cognitivo-comportamental, que ajuda bastante no manejo da dor crônica”, explica o reumatologista.

As medicações, segundo ele, têm papel complementar. “Os medicamentos ajudam a melhorar o sono, diminuir sintomas como ansiedade e depressão e reduzir parcialmente a dor, mas eles não podem ser o único tratamento. O objetivo é permitir que a pessoa consiga retomar as atividades do dia a dia e praticar exercícios físicos”, completa.

A conscientização sobre a fibromialgia também busca reduzir o preconceito enfrentado por pacientes que convivem diariamente com dores persistentes e sintomas invisíveis. O alerta dos especialistas é para que sinais frequentes e prolongados não sejam ignorados e que o acompanhamento médico especializado seja procurado o quanto antes.

Leia Também

Leia Também