quarta-feira, 29 abril, 2026
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Quem é o Podemos? Ora, quem se importa

Alvaro Dias: voto de confiança
Alvaro Dias: voto de confiança

Desde 2015, em Portugal, governa o país a tal de Geringonça. Trata-se de uma coalizão de forças entre os socialistas e a extrema-esquerda formada após as eleições legislativas. O significado de Geringonça é o mesmo dos nossos dicionários. Não há dubiedade. “Máquina complicada, engenhoca; qualquer coisa engendrada de improviso e que funciona a custo; palavrão, gíria”.

É coisa dos nossos patrícios, mas que Tarso Genro, ele mesmo, o governador petista que levou a pique o Rio Grande gaúcho, quer importar.

UPGRADE PARTIDÁRIO

No sábado passado (1º), foi lançado o Podemos, a nova legenda nacional, que de nova não tem nada. É denominação atualizada do PTN, um partido de 75 anos cujo único “lampejo de glória” foi eleger Jânio Quadros presidente. O que não é propriamente curricular.

Os objetivos do Podemos são dois: primeiro, distanciar-se da polarização política que grassa no país, inspirando-se em partidos centristas como o “En Marche” de Emmanuel Macron e, segundo, lançar a candidatura do senador paranaense Alvaro Dias a presidente da República.

FORO PRIVILEGIADO

Alvaro ganhou notoriedade nos últimos anos. Foi a voz da oposição durante o governo petista e um dos únicos políticos de destaque a passar incólume pela provação da Lava Jato. Isso, mesmo quando filiado ao PSDB.

Em 2016, fez tramitar no Senado, projeto de sua autoria que acaba com o foro privilegiado. O texto já foi aprovado em dois turnos. Segue agora para a Câmara em meio ao crescente listão de parlamentares implicados na Lava Jato e que, por força do mandato, gozam de tal privilégio.

YES, WE CAN

Os críticos dizem que o “Podemos” espanhol ao qual a versão brasileira se inspirou é um partido que mescla ideias de esquerda e extrema-esquerda e utiliza as redes sociais para promover uma espécie de democracia direta. Alvaro sustenta que o modelo do partido nacional, apesar do nome, está ligado mais ao slogan obamista (“Yes, We Can”), fonte também do nome da legenda espanhola.

“O que se quer é resgatar a democracia, não os carimbos ideológicos de um lado ou de outro. Se de um lado há a polarização surda, de outro há as várias vozes democráticas que querem ser ouvidas”, afirma.

NOSSOS HUMORISTAS

Tarso Genro: geringonça; Beppe Grillo: uma piada
Tarso Genro: geringonça; Beppe Grillo: uma piada

No rastro das comparações, tentou-se a fórceps encaixar o Podemos ao “5 Stelle” do comediante italiano Beppe Grillo, que apoiou Marine Le Pen na França e agora flerta com Trump. Ora, se é por falta de humoristas, já temos o Bolsonaro, o Gilmar Mendes e a Jandira Feghali. Mais do que isso e nos matam de rir.

Quanto a flertar com o absurdo ou com propostas heterodoxas, é de bom alvitre falar com o Levy Fidélix, o autor do projeto do monotrilho paulista, ou com o senador petista Lindbergh Farias, que visitou presos políticos na Venezuela e chegou à conclusão que libertá-los era um passo grande demais para a democracia.

O Podemos é como outras tantas legendas que surgem, se fundem ou se perdem na sopa de letrinhas do caldo partidário. A diferença é que tem o objetivo de distanciar-se delas. Se logrará êxito, não se sabe. Alvaro Dias diz que sim. Não se pode negar ao senador um voto de confiança.

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