
Sem lenço, sem documento e, principalmente, sem dinheiro, o ex-vereador Jorge Bernardi ganhou o aval da Rede de Marina Silva para disputar o governo do Paraná em 2018. Seu mote é o do rompimento. Inclusive com a propaganda eleitoral institucionalizada.
MODELO OBAMA
Bernardi crê nas ferramentas da web para baratear e dar voz à sua campanha tão logo ela ganhe fôlego nas mídias eletrônicas e sociais. A aposta é a mesma que fez Barack Obama viralizar na web com ajuda do próprio eleitor ou simpatizante.
CONSTRUÇÃO DA VONTADE
“A voluntariedade presente nas redes sociais é hoje a principal ferramenta do candidato. E o custo é zero. O fato de que um internauta, na outra ponta, se disponha a defender o voto a um postulante a cargo eletivo significa a construção de uma vontade consolidada”, afirma Bernardi.
CANDIDATO A VICE
Vice-reitor da Uninter, o ex-vereador de Curitiba de sete mandatos consecutivos (1983-2016) foi candidato a vice-prefeito, nas últimas eleições em Curitiba, na chapa de Requião Jr. (MDB).
A Uninter, com cento e tantos mil alunos pelo Brasil, é centro universitário de qualidade irretocável: basta ver as pontuações que diversos de seus cursos, graduação e pós, conseguem há anos nos rankings do MEC.
O SENHOR DAS ALIANÇAS
Suplente de Osmar Dias, no último mandato do atual pré-candidato ao governo, Jorge Bernardi foi um dos notáveis do PDT estadual, sendo um brizolista histórico. Até por isso, avaliou com cuidado as informações colhidas no final da semana junto ao diretório estadual do PDT: o partido estaria “desanimado” com Osmar. Isso diante do que alguns pedetistas explicariam “resultar das indecisões do ex-senador, características dele quando está em jogo seu nome para grandes embates políticos”, disse.
EM “RETIRO”
O ex-senador parece mesmo nutrir desconfianças. Desde que anunciou a intenção de disputar o governo do Paraná, em dezembro de 2016, ele retirou-se para o seu escritório, em Curitiba, e ali vem tentando fechar alianças sem sucesso.

A penúltima delas envolveu o senador Roberto Requião (MDB). A última, Ratinho Jr. (PSD), em composição com o irmão de Osmar, o presidenciável Alvaro Dias, e mais o procurador de Justiça, Deltan Dalagnol.
NA BASE DA CONVERSA
Também filiado ao PSD, o empresário Edinho Vieira, filho de José Eduardo Vieira, que presidiu o Bamerindus, admite que os encontros de Ratinho Jr. com políticos de vários matizes (inclusive Osmar Dias) vêm ocorrendo com certa frequência, mas sem que nada tenha sido firmado. “São os primeiros contatos”, resume.
O TRUNFO DO 1/3
Bernardi considera que a fragilidade do quadro político paranaense pode beneficiá-lo. Baseia-se na aritmética: 1/3 dos eleitores, hoje, não sabem em quem votar ou não votariam nos candidatos apresentados nas pesquisas.
ROMPER A TRADIÇÃO
A brecha política aliada à disrupção, ou seja, romper o seguimento de um processo, no caso o de candidatos tradicionais, manifestada por uma parcela dos paranaenses, é o caminho por onde o membro da Rede pretende passar.
EDUCAÇÃO DO FUTURO
Seu discurso é progressista e moderno: “Queremos buscar uma forma de trazer a política paranaense para o século XXI”. E também acadêmico: “Os ensinamentos do [sociólogo e filósofo] francês Edgar Morin são a nossa base para configurar uma resposta à educação do futuro”.
BABÁS DE PRESOS

Quanto às propostas “pés no chão”, elas ecoam da segurança pública e das rodovias pedagiadas no estado. Bernardi vê a polícia civil e militar sucateadas. Diz que há vagas não preenchidas para 11 mil PMs e mais de 1.500 policiais civis que hoje exercem funções burocráticas do setor, assumiram o papel de “babás de presos”.
PRIMEIRAS PIPOCAS
O sistema de pedágio fez “estourar suas primeiras pipocas”, afirma ele referindo-se ao escândalo envolvendo concessionárias e agentes públicos.
Se eleito governador, ele pretende resolver outra matemática básica que aflige o paranaense: por que o custo do pedágio, em outros estados, gira em torno de R$ 5,00 a cada 100 quilômetros e só no Paraná salta para R$ 20,00?
AS HISTÓRIAS EM QUADRINHO
Bernardi, geralmente tido como “político sonhador”, está no trecho da vida pública desde o começo dos 1980, quando começou assessorando Rafael Dely, então presidente da COHAB, como Jornalista profissional formado pela UFPR.
De muitos talentos, o jornalista, oriundo do interior de Santa Catarina, não teve dificuldades em firmar-se politicamente, a partir de contatos com a enorme base eleitoral que foi encontrando entre os moradores (ou candidatos a moradores) do sistema COHAB-CT.
Com apoio de Dely, de saída inovou: criou gibis, histórias em quadrinhos com personagens que falavam do dia a dia dos moradores dos conjuntos habitacionais, seus anseios e seus dramas.
Foi um sucesso amplo.
COM MARINA SILVA
Com sete mandatos de vereador na Câmara de Curitiba – que também presidiu -, Bernardi fixou-se como pedetista histórico. Deixou o partido em 2014, engajando-se na campanha de Marina Silva.
Há duas semanas, foi escolhido por 21 dos 22 votantes do Diretório Estadual da Rede para concorrer ao Governo neste ano. Seu opositor foi o professor Marcos Phefes.
Por ora, Bernardi é tido como azarão, o que menos tem condições materiais e apoios políticos para chegar ao Palácio Iguaçu.
Tem a seu favor, entre outros pontos, uma ficha muito limpa.
