CLUBE DE MILIONÁRIOS
Com muita discrição, necessária discrição por reunir um quadro social tão especial, o chamado “clube dos milionários brasileiros” – nome informal, claro – reúne os maiores donos do PIB do país. O Paraná tem pelo menos um de seus membros, discreto como a maior parte dos demais. O grupo se reúne periodicamente para traçar estratégias sobre como influenciar na vida do país, nos governos e sociedade abrangente.
Um dos sócios do clube é Renato Feder, o secretário de Educação do Paraná, empresário super bem sucedido na comercialização de tecnologias de informática, com sede em São Paulo. Ele foi indicado ao governador Ratinho Junior por seu pai, o apresentador Ratinho , de quem é admirador e amigo.

CLUBE DE MILIONÁRIOS (II)
Tire o cavalo da chuva quem imaginou estar Feder comercializando seus produtos no Paraná, em função das aulas à distância. Nenhum tostão ele vendeu, esta é a verdade.
Embora muitos amigos dele, localizados na paulicéia, estejam sendo bem sucedidos em outros estados – como Minas Gerais, por exemplo- na venda de material de TI para as redes de ensino. Assim como não amigos também aproveitam o momentum da Covid 19 para fazer bons negócios em TI com as aulas por EAD.
A propósito do “clube dos milionários”: a entidade informal e poderosa confraria, teve meses atrás reunião no Rio. Com toda a reserva necessária e quorum total. Pauta não divulgada, claro.
CLUBE DE MILIONÁRIOS (III)
Esse” clube” tem, sim, senhores, uns 30 membros “ativos”, gente como Renato Feder, o quase ministro da Educação, rifado na escolha presidencial em 2020, por influência do filho deputado Carlos Bolsonaro. Carlos achou que Feder “estava dando entrevistas de mais”, segundo uma fonte do MEC de Brasília à Coluna. Esclareço ainda: o grupo contempla também outros majorengos do PIB brasileiro que, na verdade, são bilionários.
Para uma funcionária de carreira da SEED, comissionada na Secretaria, “Renato pode estar sendo mal compreendido por muita gente. Mas o que o anima mesmo é o interesse pela educação como mola que pode mudar o Brasil. No Paraná, ele só tenta colocar em prática seus projetos renovadores, com toda transparência”.
Claro que a APP Sindicato – que nunca aceitou decisões de governos, em qualquer tempo-, está contra Feder. E assim mantém-se fiel à sua História em defesa da guilda. E à sua natureza de oposição.
MINISTRO E PASTOR
Revendo a obra do sociólogo Ricardo Mariano, especialmente sua tese de Mestrado sobre o Pentecostalismo, constato mais uma vez quanto os estudiosos da Sociologia da Religião esquecem de examinar a influência que as chamadas igrejas históricas protestantes exercem na vida pública do Brasil. O caso mais saliente é da Igreja Presbiteriana do Brasil, de origem calvinista e inspirada num dos ramos presbiterianos conservadores do Estados Unidos (de lá vieram os missionários a partir do século 19).
Observe-se o quanto liderança pouco ou quase nada tem a ver com a expressão numérica de grupos: a Presbiteriana do Brasil tem perto de 2 milhões de membros. Apenas. Mas enorme visibilidade social e intelectual.
MINISTRO E PASTOR (II)
Pois a denominação presbiteriana, cujo expressivo cartão de visita para o mundo secular é o Instituto Educacional Mackenzie e seus desdobramentos, com sede em São Paulo, tem hoje dois ministros no Governo de Jair Bolsonaro.
Um dos ministros , André Mendonça, da Justiça, aquele “tremendamente evangélico\” a quem Bolsonaro deverá indicar ao STF, na vaga do ministro Marco Aurélio Mello, ainda este ano.
André é pastor de uma paróquia da Igreja Presbiteriana, em Brasília, uma dupla posição – ministerial de Governo, e pastoral eclesiástica – que divide com seu co-irmão o ministro Milton Ribeiro, da Educação.

MINISTRO E PASTOR (III)
Em Curitiba, o reverendo Juarez Marcondes, titular da Igreja Presbiteriana do Brasil – chamada de Central -, da Comendador Araújo, conhece bem o também pastor e ministro André. Mas seu relacionamento amplo é com o reverendo Milton Ribeiro, ministro da Educação, que aos domingos exerce seu pastorado em Santos, em uma paróquia presbiteriana da cidade.

MINISTRO E PASTOR (IV)
Possivelmente o mais bem articulado ministro evangélico de igrejas históricas (e conservadoras em matéria social e moral), Marcondes recebeu por várias oportunidades o hoje ministro Ribeiro para fazer pregações em sua paróquia em Curitiba. E, por seu turno, muitos convites de Ribeiro o reverendo Juarez Marcondes atendeu para participar e pregar em semanas de evangelização em Santos.
Marcondes tem ampla articulação na IPB: É do Conselho Curador da Universidade MacKenzie e um dos dirigentes da sua igreja em âmbito nacional. É graças ao trabalho dele que o Hospital Evangélico e a |Faculdade de Medicina Evangélica estão plenamente recuperados. Atende, em 500 leitos, a maioria de seus pacientes pelo SUS.
MINISTRO E PASTOR (V)
Marcondes, reclamam, por outro lado, alguns ex-funcionários do Hospital, “terá de agilizar o pagamento de dívidas trabalhistas da instituição”. E registram protesto: “Reverendo, é questão de justiça!”.
Fonte do Evangélico, por seu turno, explicam: “As questões trabalhistas pendentes dependem apenas de decisões finais da Justiça do Trabalho.”
Ah, para acentuar o início da notícia, quando observo a importância dos presbiterianos na vida do país, lembro ainda: o maior banco privado do Brasil, o Bradesco, nasceu impulsionado pelo espírito calvinista de Amador Aguiar, que deu uma boa mostra de sua religiosidade conseqüente, com a criação da Cidade de Deus, em SP. Trata-se de um conglomerado de obras sociais e educacionais.
