Por Eliaquim Junior – O peso da solidão mostra ao Peter Parker que nem mesmo um herói capaz de parar um trem no braço consegue sobreviver muito tempo sozinho, essa é a premissa de Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026), nova e mais madura aventura do nosso amigo da vizinhança.
Desta vez, o filme passa longe de ser mais uma aventura puramente escapista focada em sequências grandiosas de ação, roteiro formulaico, com o nosso herói exclamando frases de efeito a cada frame. Também deixa para trás a atmosfera high school dos filmes anteriores. Após três filmes com Tom Holland (mais cinco outros divididos entre Tobey Maguire e Andrew Garfield), era inevitável a pergunta: ainda existe algo novo para contar sobre o Homem-Aranha? Felizmente, sim.
Um Novo Dia talvez seja o melhor capítulo da fase de Holland justamente porque há menos espaço para o super-herói e mais para o garoto por trás da máscara. O ator entrega sua interpretação mais contida e dramática, encarando um Peter que passa por problemas de gente grande e precisa lidar com emoções complexas.
É essa humanidade que aproxima o personagem do público. Exausto, sobrecarregado e obrigado a tomar decisões difíceis, Peter enfrenta dilemas bem menos fantásticos do que seus inimigos, e por isso mesmo muito mais familiares.
A participação de outros heróis funciona muito bem. Mark Ruffalo retorna como Hulk e divide com o Aranha uma das sequências mais divertidas do filme. Já Jon Bernthal reaparece como Justiceiro e rouba a cena sempre que surge. Sua brutalidade contrasta perfeitamente com o idealismo de Peter, rendendo diálogos afiados e um humor que nasce justamente das diferenças entre os dois.
Já MJ e Ned (Zendaya e Jacob Batalon, respectivamente) tem suas aparições reduzidas, mas participam de cenas-chave na história. Seus momentos são fundamentais para a trama e carregam algumas das passagens mais emocionantes do filme.
Outro ponto positivo vem do esforço e da criatividade do diretor Destin Daniel Cretton em criar cenas de ação empolgantes e “inéditas”, afinal, com tantos filmes do super-herói, construir cenas que não nos remetesse a alguma outra aventura anterior me parece uma tarefa bastante árdua. No entanto, seus 145 minutos de duração são sentidos, o primeiro ato é envolvente, mas logo o ritmo perde força com a entrada da antagonista (uma vilã realmente interessante e que não quer destruir o universo) e de outros personagens secundários.
Christopher McCandless, por meio do seu livro Na Natureza Selvagem (Into the Wild) nos deixou uma reflexão, “a felicidade só é real, quando compartilhada”. Peter Parker aprendeu essa lição nesta sua última jornada, talvez a mais sensível de todas. Às vezes, salvar Nova York é a parte fácil, difícil mesmo é aceitar que ninguém precisa carregar o mundo inteiro nas costas.

*Eliaquim Junior é cinéfilo e viciado em café (a ordem é discutível, o vício não). Escreve sobre filmes para justificar o tempo gasto assistindo a eles – e para reclamar com embasamento. Viu 125 filmes em 2025 e segue insatisfeito. Fã assumido de Spielberg e Hitchcock. Jornalista formado, e atua com edição e revisão de textos, mantendo vírgulas no lugar e expectativas altas no cinema.
