
Duas frases colhidas em discursos ou entrevistas da presidente nacional do PT, a senadora paranaense Gleisi Hoffmann dão o tom da discórdia que grassa entre os petistas com a indefinição quanto à candidatura à presidência da República. 1) “Eles não percebem que tudo é combinado diretamente com o Lula?” 2) “Os governadores têm uma preocupação natural, mas o PT só tem a perder se substituir Lula ou apoiar outro candidato agora”.
A tese de Gleisi, assoprada todas as quintas-feiras ao pé do ouvido, quando visita o líder máximo da legenda na cadeia da Polícia Federal, em Curitiba, é a mesma: se o PT lançar um candidato agora, que não Lula, assistirá uma crise partidária sem precedentes: a base eleitoral se dispersará e a capacidade do petista unificar o partido restará desmilinguida.
ENCRENCAS À VISTA
Não bastasse isso, Gleisi tem lá os próprios problemas. Seu processo na Lava Jato está a poucas semanas de ser julgado pelo STF. Ela é acusada de receber R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado, em 2010. Além desse caso, Gleisi enfrenta outras três acusações: foi acusada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por desvio na Petrobras no chamado “quadrilhão do PT”, por ter recebido R$ 3 milhões em caixa dois da Odebrecht (codinome “coxa” e “amante”) e por amealhar R$ 1,3 milhão em propina e caixa dois da TAM da Consist.
DEPUTADA FEDERAL
A presidência do PT e a defesa enfática de Lula ela é considerada eleita se candidata a deputada federal em outubro, mas as pressões que a cercam podem abalar sua permanência no comando nacional do partido. À declaração do ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, de que o PT poderia indicar o vice na chapa de Ciro, ela reagiu duramente: “Ele não sabe que o Ciro não passa no PT nem com reza brava?”
LULA NA CABEÇA
Depois insistiu: qualquer discussão sobre o apoio do PT a outro candidato ou partido só entrará em pauta no segundo turno. “Uma aliança no primeiro turno tem que ter Lula na cabeça de chapa. Depois, se verá”.
DAMA DE FERRO, MAS SUJEITA À OXIDAÇÃO
Por essa e por outras razões, Gleisi ganhou o apelido de “dama de ferro” nos círculos partidários. Porém, a depender do que vem por aí, sujeita à oxidação.
