quarta-feira, 13 maio, 2026
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PF fecha agência de viagens usada para transporte de drogas e armas

Foto: Polícia Federal

(Do GPDia)

Uma megaoperação voltada ao combate do tráfico internacional de armas e drogas foi deflagrada pela Polícia Federal, na manhã de quinta-feira (12). Nove pessoas foram presas em Foz do Iguaçu por envolvimento no esquema criminoso, que movimentava grandes cargas ilícitas. A ação contou com o apoio da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) de Cascavel.
Além da fronteira Brasil/Paraguai, foram cumpridas ordens judiciais no Paraná em Medianeira, Maringá e Curitiba; e nas cidades de Erechim (RS), Juiz de Fora (MG), Diadema e São Paulo (SP), e Balneário Camboriú e Joaçaba (SC). As ações foram todas expedidas pela 1ª Vara da Justiça de Ponta Grossa (PR).
Cerca de 175 policiais participaram da ação, que resultou em um total de 20 prisões, e no cumprimento de 32 mandados de busca e apreensão, 29 mandados de sequestro de bens e bloqueio de valores, e sete mandados de suspensão de atividade comercial e lacração de estabelecimento.
As investigações que desencadearam a operação, batizada de Expresso 80, tiveram início em 4 de maio de 2020 após a apreensão de um ônibus, em Ponta Grossa, carregado com 1,7 tonelada de maconha e dois fuzis de calibre .556. O nome da ação remete justamente as armas retidas, que eram montadas com 80% de peças compradas sem registro, com o propósito de dificultar o rastreamento.
No período de 15 meses a PF apreendeu outras cargas de droga: cerca de oito toneladas de maconha, 491 quilos de cocaína e 354 quilos de pasta-base do mesmo entorpecente. Também foram recolhidas diversas armas adquiridas no Paraguai, veículos e outros bens pertencentes à organização.

Modus operandi da quadrilha 
Conforme a polícia, a quadrilha tinha um modo de operação muito bem planejado. Os investigados usavam vans e ônibus de transporte de passageiros para levar os entorpecentes e armamento para várias regiões do Brasil. Os materiais eram armazenados em fundos falsos para despistar a fiscalização.
Os coletivos e vans pertenciam a uma agência de viagens, em Foz, de propriedade de um homem apontado como líder do grupo criminoso. A esposa do suspeito e funcionários da companhia também foram alvo da operação. “Ele [suspeito] sempre atuava como batedor das cargas para verificar se havia polícia ou não em abordagens. Ele era auxiliado pelo próprio pai, pelo irmão e pelo cunhado, além de outras pessoas que eram contratadas pelo grupo para fazer o transporte das drogas”, disse o delegado da Denarc de Cascavel, Thiago Teixeira.
Todos os veículos eram registrados em nomes de terceiros para tentar despistar a polícia. “Normalmente ele [investigado] comprava o ônibus e colocava a propriedade do veículo no nome do motorista, como um laranja. Geralmente, no momento da apreensão, o motorista estava sozinho”, explicou o delegado da PF, Peterson Manys.

Lavagem de dinheiro 
A apuração da PF até o momento aponta que os criminosos também praticavam a lavagem de dinheiro proveniente da comercialização de ilícitos. A mesma empresa que transportava as cargas, também era usada para ocultar a movimentação financeira da organização e conferir aparente legalidade ao dinheiro.
“Eles usavam contas e bens da empresa para fazer transitar o dinheiro do tráfico de drogas. A logística era bem grande, tinha muitos funcionários, e alguns deles atuavam cientes de que estavam colaborando com o tráfico”, afirmou o delegado da PF. Os investigados devem responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico internacional de drogas e tráfico internacional de armas.

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