
Em visita a Roraima, durante o Carnaval, o presidente Michel Temer anunciou a distribuição, em breve, de parte do contingente de 40 mil venezuelanos que se refugiaram em Boa Vista, capital do estado, para unidades da federação. Estão na lista São Paulo, Amazonas, Mato Grosso do Sul e Paraná. A justificativa seria a mão de obra ofertada nesses estados. Assessores do governo do estado do Paraná e da prefeitura de Curitiba, ouvidos pela coluna, informaram não saber detalhes da operação e tampouco os critérios da Presidência da República para a transferência de refugiados.
Nada foi informado oficialmente às autoridades paranaenses.
50 ÔNIBUS
Em 2014, o governo do Acre embarcou cerca de 2.200 imigrantes, a maioria haitianos, em 50 ônibus fretados com destino à capital de São Paulo. O episódio gerou críticas do governo paulista. Conforme se constataria pouco tempo depois, o contingente de haitianos foi deslocado em seguida para a Região Sul do país – 20% deles abrigaram-se no Paraná (cerca de 440 imigrantes).
TRAFICANTES INFILTRADOS
No caso dos refugiados venezuelanos, a grita do notório senador Romero Jucá (MDB-RR) era esperada. Ele defendeu o fechamento das fronteiras, defendendo medida idêntica do governo da Colômbia. Já a governadora do estado, Suely Campos, insinuou que entre os refugiados estariam infiltrando-se traficantes de drogas. Uma grita sem a menor consistência.
NOVE QUILOS POR ANO
Temer garantiu que o Brasil jamais se recusará a receber refugiados.
“Mas vamos ordenar a entrada. Vamos disciplinar isso com a Polícia Federal e o Exército”, destacou. Em 2016, 73% dos venezuelanos perderam peso. Em média 9 quilos por ano.
INFLAÇÃO DE 13.000%
Ainda que senadores bolivarianos no Brasil (Requião e Gleisi Hoffmann) renovem seu apoio ao governo de Nicolás Maduro, a situação tornou-se incontrolável. A economia do país sofrerá neste ano uma queda de 15% e a inflação poderá chegar a inacreditáveis 13.000%.
PARLAMENTO FANTOCHE
O que faz Maduro? Depois de criar uma Assembleia Constituinte composta por um parlamento fantoche, decidiu antecipar para o mês de abril as eleições que só ocorreriam no fim de ano. Fotos publicadas pelo jornal “The New York Times”, na semana passada, dão conta de que a população vive em situação de miséria absoluta. Crianças morrem de inanição, há falta de medicamentos da farmácia básica e a oferta de alimentos nos supermercados é cada vez mais racionada.
PRECONCEITO E HOSTILIDADE
A decisão de Temer em permitir a entrada de refugiados é acertada, mas demanda organização. No Paraná, haitianos denunciaram atos de preconceito e hostilidade quando desembarcaram no estado. Dois deles, hoje empregados em uma empresa de limpeza que presta serviço em uma universidade particular, ouvidos pela coluna, ainda lutam para dominar o idioma português (eles falam francês e o creole) e ambientar-se a uma nova realidade.
PRAGA POPULISTA
Em Roraima, os venezuelanos com alguma formação, começam a preencher as poucas vagas de emprego temporário na região. Os sem instrução pedem esmolas nas ruas. Em breve, eles estarão desembarcando no Paraná em número ainda não calculado. É um drama social, consequência direta da praga populista eleita a qualquer custo na América Latina. A aposta é a de sempre: se está ruim, pode ficar pior.
