sexta-feira, 24 julho, 2026
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PARA ARCEBISPO, MANZOTTI E EMISSORAS CATÓLICAS NÃO AGIRAM ERRADO

Para ele, padre da Fundação Evangelizar teria apenas tratado de outorgas de frequências de televisão no encontro polêmico. Não houve “barganha, diz Peruzzo.

Dom José Antonio Peruzzo

O arcebispo metropolitano de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo, disse, na manhã desta segunda-feira, 8, ao blog/Coluna, que o padre Reginaldo Manzotti pediu-lhe autorização prévia para participar de encontro on line de dirigentes de entidades católicas de comunicação com o presidente Bolsonaro. E que o encontro, opinou, não foi reprovável, porque seus participantes, como Manzotti, não trataram de “barganhar” noticiários favoráveis ao governo federal em troca de verbas publicitárias, mas de examinar questões como concessões e outorgas; estranhou, por outro lado, que “só depois de 3 semanas é que o assunto tenha sido abordado”.

 

OPINIÃO CONTRÁRIA

A opinião do arcebispo de Curitiba se choca com a da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que divulgou nota oficial estranhando o encontro, com linguagem muito direta e que não deixa dúvidas quanto a oposição do colegiado ao que teria sido – segundo jornais – “tentativa de barganhar opiniões e noticiários favoráveis em troca de anúncios”.

A posição do arcebispo, de frontal defesa da participação da Fundação Evangelizar, representada por Manzotti, não leva também em consideração as notas distribuídas pelos grupos de Pastoral da Comunicação da CNBB e da Congregação Redentorista, de objetiva condenação ao encontro. O arcebispo insistiu, chamando a atenção para, em nenhuma linha da nota da CNBB, o organismo católico tenha mencionado “barganhar” opinião por anúncio, com relação à reunião.

 

REDENTORISTAS

Os redentoristas são os donos da poderosa TV Aparecida, assim da TV Pai Eterno, de Goiás, cujo diretor é citado no noticiário por expor claramente a necessidade de apoio do Governo.

Reconhece o arcebispo, por outro lado, que alguns políticos de orientação católica, que participaram do encontro com Bolsonaro – como Eros Biondi, deputado federal por MG – foram os promotores do evento; e que eles possam, sim, ter se manifestado pró-Governo Bolsonaro.

Na visão do arcebispo de Curitiba – que atendeu o telefone visivelmente aborrecido com o assunto -, encontros dessa natureza teriam acontecido, por exemplo, no Governo Dilma, quando órgãos católicos de comunicação reuniram-se com a presidente e a SECOM para envolver-se em campanha contra a dengue, o que significou, ao mesmo tempo, tratar de vinhetas publicitárias na programação das emissoras.

 

‘TUDO NORMAL’

Peruzzo acha normal que autoridades e membros do clero participem de encontros institucionais com dirigentes governamentais. Cita que ele mesmo, por vezes, encontrou-se com Roberto Requião e Beto Richa para tratar de agenda comum entre Igreja e Governo.

Leia, a seguir, a nota oficial da CNBB, cujo teor é frontalmente oposto à opinião do arcebispo de Curitiba sobre o assunto:

Pe Reginaldo Manzotti

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CNBB DIZ QUE REUNIÃO NÃO TEVE O AVAL DA IGREJA

Em Nota de Esclarecimento, emitida na noite deste sábado, 6 de junho, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, juntamente com a SIGNIS Brasil e a Rede Católica de Rádio (RCR), associações de caráter nacional que reúnem as TVs e rádios de inspiração católica do Brasil, informam que “não organizaram e não tiveram qualquer envolvimento com a reunião entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, representantes de algumas emissoras de TV de inspiração católica e alguns parlamentares” como informou o jornal O Estado de São Paulo. As organizações informam também que “nem ao menos foram informadas sobre tal encontro”.

O documento esclarece ainda que “as emissoras intituladas ‘de inspiração católica’ possuem naturezas diferentes. Algumas são geridas por associações e organizações religiosas, outra por grupo empresarial particular, enquanto outras estão juridicamente vinculadas a dioceses no Brasil. Elas seguem seus próprios estatutos e princípios editoriais.

Contudo, nenhuma delas e nenhum de seus membros representa a Igreja Católica, nem fala em seu nome e nem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que tem feito todo o esforço, para que todas as emissoras assumam claramente as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”.

 

“BARGANHAR” OPINIÃO E VERBAS

Sobre a reunião, as organizações que assinam conjuntamente a Nota de Esclarecimento, afirmam ter recebido com estranheza e indignação a notícia sobre a oferta de apoio ao governo por parte de emissoras de TV em troca de verbas e solução de problemas afeitos à comunicação. “A Igreja Católica não faz barganhas. Ela estabelece relações institucionais com agentes públicos e os poderes constituídos pautada pelos valores do Evangelho e nos valores democráticos, republicanos, éticos e morais”, diz o texto.

Veja a íntegra da NOTA DE ESCLARECIMENTO, anexa em PDF, aqui:

Fonte: CNBB

 

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MÍDIAS REDENTORISTAS – CARTA EXPLICATIVA

Comissão de Mídias Redentoristas

União dos Redentoristas do Brasil 06 de junho de 2020

 

CARTA EXPLICATIVA

Recentemente fomos surpreendidos por matéria publicada em veículo de comunicação de circulação nacional afirmando o apoio dos veículos de comunicação católicos, rádios e TVs, ao governo do Presidente da República, em troca da concessão de verbas publicitárias e facilidade na obtenção ou renovação de outorgas. A matéria fala das TVs de inspiração católica e de rádios integrantes da Rede.

Outrossim, a matéria surpreendentemente afirma o contraponto das mídias católicas à ação e ao pensamento da Igreja no Brasil representada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Para surpresa generalizada, segundo a matéria, foi realizada uma reunião com videoconferência pública, com a presença de parlamentares e de representantes de algumas bases geradoras de emissoras de inspiração católica, sem a representação da Signis/Brasil, organismo que congrega todas as plataformas de comunicação da Igreja.

Vemos nessa atitude isolada uma falta de compromisso com o Evangelho e um atentado ao profetismo e unidade da Igreja compromissada com a defesa da vida e com o bem estar integral das pessoas nesta hora tão difícil vivida pelo Brasil. Esse apoio explícito compromete a imagem da Igreja e sua ação evangelizadora pautada no Evangelho, e não numa atitude partidária.

Enquanto Redentoristas, não concordamos com a atitude isolada tomada por alguns veículos e suas lideranças. Nós, Comissão de Mídias da União dos Redentoristas do Brasil (URB) manifestamos publicamente o nosso desconforto e discordância com tal atitude que não nos representa.

Comissão de Mídias Redentoristas – União dos Redentoristas do Brasil Pe. Júlio Ferreira de Souza – Vice Provincial de Fortaleza/CE Pe. José Inácio Medeiros – Coordenador (São Paulo) Ir. Diego Joaquim Pereira de Sousa – Secretário (Goiás) Pe. William dos Santos Betônio (Bahia) Pe. Sergio Luiz e Silva (Rio de Janeiro) Pe. Sergio Sviental Campos (Campo Grande) Pe. Jadeilson Bezerra da Silva (Recife) Pe. James Batista (Manaus) Emanuel Ramos Costa (Fortaleza) Fr. Genildo Souza D. Junior (Porto Alegre)

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POR VERBAS, TVs CATÓLICAS OFERECEM A BOLSONARO APOIO AO GOVERNO

Jair Bolsonaro em videoconferência com representantes religiosos

Publicidade. Padres e leigos conservadores que controlam parte do sistema de emissoras ligadas à Igreja prometem ‘mídia positiva’ para ações do Planalto na pandemia da covid-19

(Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo)

BRASÍLIA – A queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro tem atraído propostas de alianças em troca de recursos públicos. Uma das mais tentadoras partiu de padres e leigos conservadores que controlam boa parte do sistema de emissoras católicas de rádio e TV. Ligados à ala que diverge politicamente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dentro da Igreja, eles prometeram “mídia positiva” para ações do governo na pandemia do novo coronavírus. Pediram em contrapartida, porém, anúncios estatais e outorgas para expandir sua rede de comunicação.

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