domingo, 10 maio, 2026
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PALOCCI JÁ FOI O “PLANO A” DE LULA À PRESIDÊNCIA

Lula: depoimento claudicante a Moro
Lula: depoimento claudicante a Moro

O confronto esperado entre o juiz Sérgio Moro e Luiz Inácio Lula da Silva ficou restrito, timidamente, aos bonecos e às bandeiras vermelhas do lado de fora da Justiça Federal, onde o ex-presidente prestou depoimento.

Dentro, um Lula irritadiço era antes réu do que candidato. Muito diferente do político disposto a falar por quatro horas e meia, alheio às reprimendas do juiz quando se referia às realizações de seu governo.

O SOFÁ FICOU À ESPERA

Lula desejaria manter o mesmo roteiro de maio. Viajar de avião, descansar no escritório do advogado Luiz Carlos Rocha, no bairro Boa Vista, onde o sofá de couro marrom o esperava, almoçar uma salada e se dirigir ao fórum. Rochinha, como é conhecido o advogado, esperou até a véspera por um sinal do amigo Roberto Teixeira, o compadre de Lula. À última hora, soube que o ex-presidente viajaria de carro de São Paulo a Curitiba. Era uma imposição dos novos tempos do PT. O partido não dispunha de recursos para fretar o jatinho do ex-ministro Walfrido Mares Guia, o mesmo que trouxe Lula à capital em seu primeiro encontro com Moro.

Antonio Palocci: uma pedra no sapato
Antonio Palocci: uma pedra no sapato

CASA DO LOBBY

Desta vez, Lula só precisou de duas horas para dar sua versão dos fatos.

Seu alvo foi o ex-ministro Antônio Palocci, cuja delação premiada parece, enfim, ter implodido a estrutura interna do PT. Palocci não é só um correligionário de três décadas. Foi o principal ministro do primeiro mandato de Lula, quando ocupou a pasta da Fazenda, e o escolhido pelo petista para sucedê-lo. Era o “Plano A”. No meio do caminho, no entanto, havia uma “casa do lobby”.

A queda do ministro fez com o ex-presidente encontrasse um candidato que se dispusesse a abrir mão da reeleição para que ele voltasse ao poder.

Este candidato foi Dilma Rousseff. Contudo, a popularidade conquistada no primeiro mandato fez com que ela mudasse de ideia. E o resto é história.

RECIBO DE ALUGUEL

Emilio Odebrecht: agenda que condena
Emilio Odebrecht: agenda que condena

No depoimento, Lula se complicou em pelo menos dois momentos. No primeiro, ao não apresentar nem dar conhecimento de recibos do aluguel que pagou a partir de 2011 pela cobertura vizinha à sua em São Bernardo (SP). Não há informação de que seus advogados tenham providenciado a documentação e juntado aos autos.

AGENDA COMPROMETEDORA

Em outro momento, Lula negou que tivesse se reunido com Emílio Odebrecht e Dilma Rousseff no penúltimo dia de seu governo em 30 de dezembro de 2010. Confrontado com a pauta da reunião escrita pelo empresário em uma agenda, disse que o encontro se resumiu a dez minutos de conversa. No documento, o primeiro assunto da pauta trata da “Passagem do histórico de parceria”. Há mais: estão listados também debaixo do título “Com ele”, os itens “Estádio do Corinthians, Obras Sítio, 1ª Palestra em Angola e Instituto”.

Para o petista, Palocci é agora um simulador, frio e calculista. Soou engraçado. Será que era essa sua intenção?

Lula discursa na praça Generoso Marques (foto: André Nunes)
Lula discursa na praça Generoso Marques (foto: André Nunes)
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