quarta-feira, 17 junho, 2026
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Osmar Dias: preparando caminhos para o Palácio Iguaçu (final)

(Final)

SINAIS DE CANDIDATO JÁ APARECEM

Osmar Dias
Osmar Dias

Os resultados do encontro de um grupo de jornalistas para almoço-entrevista, na quarta, dia 2, em Curitiba, com o ex-senador Osmar Dias, foram mostrados em textos retratando o “animus” do político que volta a toda carga, agora candidato a governador em 2018.

O ânimo dessa autoridade em agrobusiness e ex-vice-presidente do Banco do Brasil é enorme. Na verdade, já ostenta alguns fortes sinais de candidato. Discretos, é claro, mas não deixam dúvidas de estar Osmar em busca do tempo perdido.

Afinal, ficar fora da política paranaense “a plena carga” significou 6 anos em Brasília, ocupando, alternadamente, seis vice-presidência do Banco do Brasil e o cumprimento de agenda extenuante Brasil afora. Por vezes, como presidente substituto do BB.

SOCIAL DEMOCRATA

Não há exagero na afirmação de que ele esteve à margem da política paranaense nesses anos. Isso muito embora Osmar presida há anos o PDT do Paraná, partido de feições sociais democráticas e sobre o qual ele e outros notáveis pedetistas terão a responsabilidade de exorcizar certas marcas danosas.

Na campanha de Gustavo Fruet, em 2012, fez aparições públicas e na televisão, apoiando o prefeito. Na deste ano, deram-lhe pouco espaço na propaganda de Fruet e até gravações amplas de apoio ao candidato foram excluídas. Não sabe o motivo.

MARCAS DANOSAS

Dentre as marcas danosas da sigla PDT que Osmar e companheiros terão de exorcizar, uma delas salta às vistas: a de que o PDT é partido de orientação esquerdista radical.

Outra marca, a de que é comandada como capitania hereditária pelo nem sempre recomendável Carlos Lupi, liderança cevada pelo que já de mais lamentável do sindicalismo brasileiro.

Essas são tarefas difíceis, mas não impossíveis, pois o PDT, em todo o Brasil, abriga um sarapatel de tendências: desde políticos moderados até alguns reconhecidamente à “droite”, dando abrigo generoso, ao mesmo tempo, a vestais de um sindicalismo acostumado às benesses e mamatas propiciadas pelas cartas sindicais.

TODO INCLUSIVO

Relembrando parte do que registrei dia 3: Osmar está aberto ao diálogo, não exclui nenhuma corrente política com vistas a seu propósito de eleger-se em 2018 ao Palácio Iguaçu. Acha que o universo de lideranças existente e o tempo lhe são muito favoráveis. Mas não faz críticas a eventuais concorrentes. Até prefere abster-se dessa possibilidade. No momento. Embora também ache cedo para trabalhar possíveis alianças, como – pode ser o caso – com o governador Beto Richa. Isso sem excluir essa possibilidade, no médio prazo.

INDECISÕES

A decisão de concorrer desta vez, sem repetir as demoras que caracterizaram o início de suas campanhas de 2006 (coordenada por Euclides Scalco) e 2010, não implica, no entanto, açodamento. Afinal, há ainda dois anos pela frente, é o lembrete que deixou no ar.

COLANDO COM PV?

Se Osmar colará ou não sua campanha ao Governo do Paraná à de seu irmão mais velho, Álvaro Dias, à Presidência da República, nada pode afirmar o pedetista nestes dias. Tudo dependerá, deixou bem claro, além de fortes laços fraternos que o prendem a Álvaro, questões fundamentais tenham de ser pesadas. Uma delas, nada desprezível, a própria sigla do Partido Verde, PV, que hoje abriga Álvaro, cujo programa é antítese de pontos fundamentais da pregação de Osmar, como a defesa do agrobusiness. Os chamados verdes são antiagrobusiness.

Osmar acredita em programas partidários, sabe lê-los com atenção. Por isso mesmo, não está “de graça no PDT”.

Será que Álvaro dá mesma importância aos estatutos de partidos?

CONHECE BRASÍLIA

Osmar Dias conhece como poucos brasileiros o universo político de Brasília. Afinal, foi senador – muito presente e destacado – durante oito anos. Sem jamais ter pedido licença, assim como não acedeu aos pedidos de seus suplentes que queriam ter o gostinho de ocupar, mesmo que por horas, a cadeira do senador.

Não tem nenhuma dificuldade em transitar nos escalões decisórios, como com o presidente Temer, de quem é amigo. E que não o queria fora do Banco do Brasil.

DEBATE CIENTÍFICO

Osmar, como senador, teve papel importante na definição nacional de temas vitais, como agricultura transgênica e também de outras questões não menos fundamentais, como células tronco e clonagem animal.

Ex-diretor da escola de agricultura em Bandeirantes, ele não é jejuno em temas científicos, como os que envolvem genética. Na CTNBIO, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, ganhou respeito de cientistas por seus votos e pareceres.

Lembro-me que dois deles, cientistas como Waldemiro Gremski, hoje reitor da PUCPR, e Eleidi Freire Maia, da UFPR e do Instituto Ciência e Fé de Curitiba, sempre me citaram a maneira equilibrada com Osmar que fez prevalecer equilíbrio entre os debates de especialistas e leigos.

DILMA: UM PERFIL

Osmar não poupa o ex-ministro José Eduardo Cardoso, advogado de Dilma, que teria cometido erros crassos em interpretar situações das chamadas pedaladas fiscais envolvendo questões de empréstimos agrícolas.

Sobre Dilma, sente-se à vontade para falar da ex-presidente: reconhece que ela desenvolveu uma espécie de dupla personalidade no poder. Como ser humano, nas relações interpessoais, é pessoa agradável, interessa-se pelo dia a dia das pessoas, gosta de cinema, é cinéfila, assim como uma leitora constante de obras sobre as quais pode discorrer como muita satisfação.

AMENA, NO COMEÇO

Esse lado ameno de Dilma foi muito marcante no seu primeiro governo, diz Osmar. Depois, acredita ele, não se sabe sob que tipo de influência, a ex-presidente mostrava-se autoritária, agocentrada, disposta a descarregar uma bateria de palavrões sobre suas “vítimas”. No caso, aqueles que ousassem discordar dela. Tudo isso recheado de palavrões que Dilma usava à vontade, em voz alta.

No geral, a impressão final que ficou da ex-presidente, que muitas vezes o tomou como conselheiro em temas diversos, é de que se trata de pessoa honesta no plano pessoal. Mas a serviço de uma ideologia partidária que acabou levando o país onde levou.

“OUTRO SENADO”

Osmar não esconde, a uma pergunta: o Banco do Brasil foi uma experiência muito agradável em sua vida. Ganhava muito bem, na faixa dos R$ 53 mil mensais mais todos os atendimentos do banco extremamente e hierarquizado e organizado.

“Lá dentro é outra realidade positiva”, completou, garantindo: “O Banco do Brasil é outro Senado”.

Leia mais: Osmar Dias: preparando caminhos para o Palácio Iguaçu (parte 1)

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