
(PRIMEIRA PARTE)
Os seis anos em que o ex-senador Osmar Dias passou na Vice-Presidência do Banco do Brasil S/A fizeram bem ao presidente do PDT do Paraná, candidatíssimo a governador do Estado em 2018.
Isso é o que deduzo de sua aparência de hoje, descansada, tranquila, e o fino humor à flor da pele, exposto sempre quando ele encontra alguma situação risível para “vergastar” com o verbo afiado. São situações preferencialmente do universo político, matéria prima de que se alimenta de cabeça erguida. Posição acentuada, certamente, por ser dono de ficha limpíssima, cada vez mais raridade nacional.
– Foi por causa da nota publicada em seu blog/coluna, Aroldo, que tive de dar a entrevista, na semana, anunciando que sou candidato ao Palácio Iguaçu, disse-me Osmar “abrindo” encontro-almoço que ele teve no dia 2, quarta, com grupo de jornalistas, num endereço particular em Curitiba.
INDECISO? NÃO
A entrevista citada de Osmar Dias foi dada ao jornal paulista ‘Valor Econômico’. Nela ele foi de meridiana franqueza: é candidato a governador do Paraná. Quis deixar isso bem claro, desde já, para que se evitem possíveis turbilhões de dúvidas e informações desencontradas e mal-ajambradas, como as que envolveram sua candidatura ao governo nos anos de 2006 e 2010.
Naqueles anos, Osmar contabilizou desgastes de sua imagem. A pecha de indeciso acabou (temporariamente, é claro) pregada a ele. Foi apontado, por vezes, como alguém temeroso em tomar decisões. Ou que só estaria dependente de palavras finais de seu irmão Álvaro Dias para alçar voo às campanhas.
Na verdade, garante, uma série de palavras dadas a ele – e nem sempre cumpridas e/ou justificadas no tempo certo – acabaram produzindo o enorme ruído. E também a imagem de indecisão que, diz, nunca correspondeu à sua real personalidade. Mas atrapalhou, na ocasião.
LEITOR CONSTANTE
Para mim, a situação gerou uma boa “descoberta”: agora sei que tenho entre meus leitores frequentes o ex-senador Osmar Dias, para cuja campanha de 2010 ao governo colaborei na redação do programa da Área Cultural. De lá para cá, não mais mantivemos contatos.
IRASCÍVEL
Ao longo dos anos, muito mais do que a de alguém supostamente “indeciso”, a imagem mais forte que Osmar Dias passou para camada bem informada da população é de um homem público por vezes irascível.
Seria, isso sim, acostumado a resolver – dizia-se muito em anos tempos passados – “situações difíceis”, com escassos diálogos. Ou, melhor, com decibéis muito acima dos suportáveis por simples mortais.
ALIANÇAS
À parte o lado meio folclórico grudado a momentos do ex-secretário de Agricultura do Paraná que revolucionou o campo paranaense com medidas essenciais – como a catequese das curvas de níveis – a fala de hoje de Osmar é a de um político amplamente aberto ao diálogo.
Brasília lhe fez bem também para essa abertura de “cancha reta” em que dá a largada agora, rumo a 2018.
Osmar quer conversar com todos. Não acredita que a aliança (rompida) do PDT com o PT no Paraná possa trazer-lhe desgaste, cobranças sobre o quanto representou no passado recente.
Não há porque apostar nesse tipo de “cobrança”, mesmo porque quase todos os escalões da vida pública brasileira aliaram-se ao Partido do Trabalhadores, a exemplo do PMDB de Michel Temer, em certos momentos e situações. E não foi essa antiga aliança que definiu a derrota de Gustavo Fruet em Curitiba.
COM RICHA E GRECA
Osmar não exclui conversar e até fazer alianças com algumas lideranças consolidadas, como Beto Richa. E outras, como “born again” Rafael Valdomiro Greca de Macedo.
Mas deixa bem claro: se está aberto a conversar com todos os que o aceitarem como parceiro futuro da empreitada de 2018, pode garantir que não tem nada definido, no momento. Tem, isso sim, pela frente dois anos, tempo para amadurecer alianças e consolidá-las. Mas sem superestimar nem subestimar ninguém. Estando, no entanto, bem consciente de que seu portfólio de realizações como gestor é bem consistente. E que, no BB, ao acumular o comando de até seis vice-presidências do banco, consolidou horizontes de longo alcance nacional.
ÁLVARO DIAS
O espírito socialdemocrata que a rege o estatuto do PDT, o partido fundado por Leonel Brizola, não se contradiz com o liberal de Osmar Dias.
A defesa da livre iniciativa tem apoio na carta do trabalhismo de Brizola, que também se volta amplamente à defesa do trabalho e do trabalhador.
Irmão mais moço de que Álvaro Dias, Osmar, 64, deixa no ar a resposta que alguém lhe faz, sobre a importância do Partido Verde (PV) na campanha futura do ex-governador do Paraná à Presidência da República.
PARTIDO VERDE
Mas com sutileza lembra: quem ler programas partidários entenderá que o PV é mais ou menos a antítese da própria formação de Álvaro, político defensor do agrobusiness, realidade que se choca com a dos chamados “verdes”.
No entanto, não arrisca uma análise mais ampla sobre a densidade e a capilaridade do PV em âmbito nacional, sobre se a legenda poderá verdadeiramente conter projetos políticos como os do irmão Álvaro.
