“PETRÓLEO TEM BARRIL A PREÇO ZERO”
O grupo se reúne todas as tardes para traçar estratégias que poderão melar planos eleitorais do alcaide
Todas as tardes, entre 15 e 17 horas, homens públicos, políticos com e sem mandatos, dirigentes sindicais, dois pastores, além de quatro advogados, têm-se reunido, na semana, num endereço central de Curitiba. Casa térrea, rua discreta, até com anão de jardim, além de forte segurança humana e eletrônica para evitar bisbilhoteiros; nem a “tia” do cafezinho entra na sala de reuniões em que o tema central é um só: traçar os caminhos legais para enquadrar o prefeito Rafael Valdomiro Greca por incúria administrativa (?), ou coisa que o valha, proposta que até pode soar “pesado”.
Mas é fundamentada em lógica que não é a lógica do alcaide e seu entourage.
Assim, traduzindo as intenções e a ira dos oposicionistas, trata-se do seguinte: o grupo, que enxerga longe e muito bem os passos do prefeito em sua intenção eleitoral, acha que “há imoralidade em a Prefeitura continuar a pagar à empreiteira (Tucuman) o mesmo valor pelo asfalto de quando a obra foi contratada, há mais de ano, para fazer o recapeamento de ruas de Curitiba”.

E o motivo é claro, como diz um desses estrategistas da oposição a Greca: “Afinal, o petróleo chegou a valor negativo, na segunda-feira, e tem estado, em média, a US$ 20 o barril. E porque o cidadão tem de continuar pagando o valor absurdo (US$ 100 dólares o barril, valor atribuído quando feito o contrato) com a empresa que tem seu diretor como réu na Lava Jato?”.
– Ele é réu, mas não foi condenado, nada impede que o Zé Maria trabalhe, explica-me uma fonte da Secretaria das Finanças de Curitiba, a mesma secretaria onde dois assessores, depois de um cafezinho demorado e adoçado com aspartame, acabam admitindo a um amigo da coluna:
“A reavaliação do contrato a favor do Município faria sentido”.
Faria…
PETRÓLEO SOBRANDO
O petróleo e seus derivados estão sobrando no mundo todo, há milhões barris sendo vendidos a custo zero, como nos Estados Unidos (vide noticiário internacional).
Isso, no entanto, não parece interessar à Prefeitura, esquecendo-se o prefeito que a boa administração pública manda que o gestor reveja os preços em favor do contribuinte. Pois não é dessa forma, pedindo revisão de preços, que agem as empresas em situações em que buscam reequilibrar seus contratos eventualmente defasados?
DOIS PESOS
Um dos argumentos fortes que aparece nas citadas reuniões é este: por que o comércio e uma série de outras atividades consideradas não essenciais são obrigados a manter-se em quarentena, enquanto o asfalto – a toque de caixa – vai sendo colocado em ruas da cidade? Aos amigos dos reis, pois, os benefícios do faturamento amplo e irrestrito.
Há quem diga que a pressa é para criar o fato consumado, aquele que admite a lógica do “depois discutiremos na justiça quem tem razão”, como assinala um assessor de uma das diretorias da Câmara Municipal de Curitiba.
RUAS VAZIAS?
Ao prefeito não devem faltar argumentos para a pressa em asfaltar.
Afinal, quem chora com tanta habilidade e teatralmente diante das câmeras, como ele fez na CNN, não tem dificuldades em achar argumentos.
No caso, Greca de Macedo tem repetido: “a pressa é para aproveitar que as ruas estão vazias…”

DONA MATILDE
Esperta, dona Matilde da Luz é boa de memória. Ela conta que quando o secretário de Finanças da cidade cogitou de cortar o contrato de recape de asfalto, o alcaide quase teve um chilique, avisando que não poderia causar prejuízo a Tucuman, empreiteira ligada ao empresário José Maria, o mesmo do estacionamento subterrâneo da Avenida Afonso Camargo que o Ministério Público averigua contrato com a URBS S/A, e um acordo articulado pela diretoria financeira .
A empresa Tucuman e o empresário são citados nas investigações da lava Jato. Fonte: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2019/07/01/beto-richa-e-outras-seis-pessoas-viram-reus-em-processo-da-operacao-piloto.ghtml
DOAÇÃO DE R$ 200 MILHÕES
Dona Matilde, aposentada funcionária da Prefeitura, aparvalhada com o que acontece no chamado Palácio 29 de Março, prometeu hoje à coluna/Blog que irá em busca de explicações jurídicas para a doação de R$ 200 milhões que o prefeito Greca de Macedo quer entregar ao transporte coletivo de Curitiba.
A veneranda senhora acha que argumentos não faltarão ao GG e a Greca de Macedo. “Só quero saber quando essa loucura, como a do asfalto, for parar em fórum maior, o STJ, por exemplo”…
