sexta-feira, 24 julho, 2026
HomeMemorialOPINIÃO DOS OUTROS: DOM PERÓN EXPLICA COMO ACEITOU A INTERNET NA MISSA

OPINIÃO DOS OUTROS: DOM PERÓN EXPLICA COMO ACEITOU A INTERNET NA MISSA

O bispo de Paranaguá ocupa uma das posições mais relevantes na CNBB, a de responsável pela Liturgia da Igreja Católica no Brasil.

 

Domingo de Pentecostes – Transmissão

 

Domingo de Ramos – Catedral Vazia

De Ramos a Pentecostes, a união e o cuidar da Igreja em um ano difícil e diferente Dom Edmar Peron, nos fala das celebrações sem a presença física dos fiéis, desde a quaresma até este Pentecostes no domingo, 31 de maio.

Conta como foi sua experiência pessoal do maior uso das redes sociais e o futuro que espera para este aprendizado. O Bispo explica ainda o sentido do chamado “Tempo Comum” na Liturgia da Igreja.

 

Pascom – Bispo Dom Edmar, como está neste momento a situação da reabertura das Igrejas na sua Diocese?

Dom Edmar – Enviei uma carta aos padres dando a possibilidade da reabertura. Vejam: Não é uma carta para obrigar a reabrir, mas para ajudar a compreender e discernir. Ouvindo os responsáveis de cada município e do Estado, podem tomar a decisão de reabrir igrejas para celebrações com a participação de fiéis e ocupação de 30% da capacidade dos locais. Eu soube de vários Padres decidiram manter o fechamento nas celebrações. As Igrejas tem sido abertas em horários definidos para orações individuais. A nossa Diocese é muito extensa e diversificada, há padres em municípios em que não há nenhum caso confirmado de covid e a situação está controlada, outros ao redor de Curitiba que fez a reabertura. A carta foi enviada no sentido de apoiar as suas iniciativas e orientar, principalmente quanto a necessidade de respeitar as orientações das autoridades sanitárias, os decretos nos municípios, bem como as orientações da CNBB quanto ao modo de celebrar. Eu pessoalmente acredito não ser o momento de reabrir. Falando da nossa realidade, Paranaguá, é uma situação bastante delicada e precisamos discernir bem a respeito da reabertura.

 

Pascom: Desde o início da Pandemia, o Senhor tem presidido missas diárias às 20 horas na Catedral, transmitidas pelo facebook na página da Diocese e pela web rádio Arca, como tem sido esta experiência iniciada de forma repentina?

Dom Edmar – Transmitir as missas é entrar em comunhão com as pessoas onde elas estiverem. No começo achei muito difícil porque era estranhíssimo ficar pregando olhando para um celular, hoje percebo que há gente concreta atrás desta tela do celular. Fiéis que ouvem, seguem e acompanham as celebrações. Agora me sinto mais motivado para pregar e possibilitar às pessoas esse modo de acompanhar a liturgia. Sei que a participação é reunir em assembleia para celebrar mas, neste tempo, valorizo a possibilidade de usar a internet e a rádio para fazer a palavra de Deus e a palavra do Bispo chegarem até as pessoas.

 

Pascom: O domingo de Pentecostes, comumente muito celebrado em grupos da juventude, aconteceu também na sua Diocese, via internet, como o senhor viu esta iniciativa?

Dom Edmar – A valorização da internet é uma coisa impressionante nesse tempo. Para a transmissão do Pentecostes da RCC, eles organizaram como se fossem reunir as pessoas, com horário de pausa e de almoço, entretanto o fizeram via internet proporcionando a quem tem acesso acompanhar a seguir. Eu tenho visto este movimento em vários grupos, a Pastoral da Criança frequentemente tem feito assim, nós, os bispos da CNBB temos as nossas reuniões por videoconferência. Esta é a qualidade boa da internet, unir e ajudar a refletir, além de fazer reuniões sem gastos. Imaginemos quanto da liturgia está sendo divulgado para as pessoas, transmitidas para elas. Quando voltar a ter a presença de fiéis nas igrejas, pretendo continuar a transmitir ao menos uma missa semanal, talvez a do domingo às 19:30, na Catedral, que tenho celebrado de forma contínua há alguns anos.

 

Pascom – Após o Pentecostes, temos o início do “Tempo Comum” muitos estranham este termo da liturgia. Pode nos explicar?

Dom Edmar – Voltar ao tempo comum é perceber como o Espírito Santo nos coloca no tempo comum. É reconhecer que Deus ele está conosco no cotidiano de nossas vidas, no comum, no ordinário da nossa vida. Quando não tem tantas novidades nem muitas coisas especiais, grandiosas, que chamam a atenção. No cotidiano vivido com simplicidade, com amor, com responsabilidade, com alegria, com sofrimentos. Esse cotidiano é que nós chamamos de tempo comum. Uma palavra que vai iluminando dia após dia, o nosso viver em família, o nosso Jeito de ser Cristão, o nosso jeito de ser cidadão, de ser vizinho… É o tempo em que a gente descobre: Deus está conosco nas pequenas coisas, no dia a dia da nossa vida, está ao nosso lado. O nosso voltar ao “tempo comum” é agora o “comum” vivido dentro do horizonte da pandemia da covid-19. Não dá para fazer de conta que não exista esta realidade. Nós estamos ainda muito inseguros com relação a esta situação, isso é o “comum”. Nesta nossa realidade, de grandes incertezas e inseguranças, Deus está conosco, esta é a nossa fé!

(Pascom Diocese de Paranaguá)

Leia Também

Leia Também