Antenor Demeterco Junior (*)

Charles Darwin (1809-1882) passou pelo Brasil e, em quatro meses, assistiu a monstruosidades que o marcaram pelo resto da vida.
Constatou que senhores de escravos viam os negros como pertencentes a “outra espécie”, ignorando que todos os seres humanos tinham a mesma origem num ancestral comum. Assistiu ao espancamento violento de um mulato no Rio de Janeiro, e em Pernambuco ouviu os terríveis urros de algum escravo sendo torturado. Presenciou o suicídio de uma negra atirando-se de um penhasco para não ser capturada, e grotescas marcações a ferro.
RAIO DE LIBERDADE
A fuga para os quilombos constituía o raio de liberdade para seres humanos tratados como animais por indivíduos com mera forma humana, próximos do primitivismo.
Neste contexto histórico-escravocrata é que surge Zumbi dos Palmares (possivelmente 1655-1695), nascido na capitania de Pernambuco, em localidade hoje pertencente a Alagoas.
SIM, ELE EXISTIU
Inúmeros dados, historicamente constatados, permitem concluir que realmente ele existiu. Com poucos dias de vida, foi capturado e dado “de presente” ao padre Antônio Melo, tendo oportunidade de aprender Latim e Português. Aos 15 anos, fugiu para Palmares e acabou inicialmente comandando militarmente o quilombo, e posteriormente o chefiando.
Dezesseis expedições foram organizadas pelo poder colonial para a destruição das povoações libertárias, e somente uma delas teve êxito, chefiada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho.
Ferido e traído por um companheiro, Zumbi foi morto, e teve sua cabeça exposta em Recife.

QUE SEJA NUM DOMINGO
Há tentativas atualmente de homenageá-lo com a instituição de um dia da Consciência Negra (20 de novembro). Justa é a homenagem, mas para que se agrade gregos e troianos, tal dia, na minha opinião, deveria coincidir com um domingo deste mês. O Brasil já tem feriados demais, que merecem ser submetidos a uma planilha limitativa.
Focalizei Zumbi nesse escrito ante a sugestão de um qualificado leitor da coluna de nosso ilustre Professor Aroldo Murá, baluarte do jornalismo de nossa terra.
Curitiba, 28 de Julho de 2017
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador aposentado do TJPR; estudioso da História do Século XX.
