Antenor Demeterco Junior (*)

O economista Stanley Fischer ocupou funções de primeiro vice-diretor – gerente do Fundo Monetário Internacional (1994-2001), foi vice-presidente do Citigroup (2002- 2005), e durante oito anos (2005-2013) esteve na diretoria do Banco de Israel e se tornou o sumo sacerdote da economia do país.
O atual presidente do Banco Central brasileiro, Ilan Goldfajn, foi, segundo consta, orientado por ele em seus estudos.
Entrevistado pelo jornalista Ari Shavit, deu um roteiro que pode ser utilizado para normalizar economias com problemas (in“Minha Terra Prometida”, p. 394).
Segundo Fischer nos anos de 2004-2008 a taxa média de crescimento anual de Israel foi de 5,2%.
Durante a crise mundial em 2010-2011, a taxa foi de 4,7%. Um feito econômico extraordinário para ele.
A fórmula para o êxito aplicada tem quatro itens: a drástica redução dos gastos governamentais, a significativa redução da dívida pública, a preservação de um sistema financeiro conservador e responsável e a fomentação das condições para que a alta tecnologia israelense continuasse a prosperar.
A receita é conhecida, mas sua implementação por aqui não é fácil.
Grupos de interesses, “movimentos sociais”, corporativistas de todos os matizes, mobilizam-se agressivamente com greves e ocupações obrigando o governo a recuos.
Por outro lado, não há sistema econômico que possa estabilizar-se a sombra de impactantes inquéritos policiais e delações seletivas obtidas em conta-gotas.
Quando grupos minoritários abrem faixas com “Fora Temer” há reivindicação de retorno ao governo dos piores, ou seja, da caquistocracia que nos governou nos últimos tempos.
A moralização, até o presente momento, parece poupar a dupla de ex-presidentes artífices de nossos desastres.
Melhores tempos virão, é o que espera o país.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador emérito do TJPR.
