terça-feira, 28 abril, 2026
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Opinião de Valor: Ciência ou panfleto?

Plantação de trigo verde na região do Parque da Raposa, em Apucarana. Foto: Jair Ferreira Belafacce/Shutterstock

O ataque às políticas ambientais foi impulsionado por um esforço velado de um pequeno grupo para desinformar a sociedade

 

Por José Maria da Costa – Revista Oeste

Acadêmicos brasileiros publicaram recentemente numa revista holandesa um artigo em que atacam diversas pessoas e entidades. Dentre as muitas acusações, falam que “um pequeno grupo de pesquisadores brasileiros” produziu “controvérsias falsas” que impactaram seriamente “a conservação ambiental, sobretudo em questões relacionadas ao desmatamento e às mudanças climáticas”. Além disso, com indevidas “credenciais científicas e desconsideração da literatura”, fabricaram “pseudofatos” que se esforçam para aparecer fatos científicos.

Com esses pretextos, propõem-se examinar essas supostas “falsas controvérsias que surgiram no Brasil nas últimas décadas”. E, nesse afã, acusam de roldão a Embrapa, a Embrapa Territorial, seu pesquisador Evaristo de Miranda, deputados, senadores e presidentes da República — de José Sarney a Bolsonaro —, e os responsabilizam por um “desmonte das políticas de conservação ambiental no Brasil”, o que resultou em “adiar ações ou desmantelar políticas-chave de conservação”. Por fim, afirmam escrever o artigo para analisar “a presença e a influência desse grupo de pesquisadores e de seu coordenador nos Poderes Executivo e Legislativo do governo federal brasileiro”.

Este autor não tem procuração para defender os presidentes da República. Mas diga-se que o confuso artigo chama a atenção, quando pretende enredá-los todos, sem distinção, como marionetes da Embrapa Territorial sob a batuta de seu maestro, Evaristo de Miranda, alçado pelos articulistas à condição de verdadeiro Rasputin dos trópicos, tanto na influência exercida sobre eles, quanto na suposta invenção de dados — e tudo para afrouxar as regras das políticas ambientais.

Também não tem procuração para refutar as acusações aos deputados e senadores, que teriam votado, durante muitos anos, quase que sob o poder da hipnose lançada sobre eles pela mesma equipe e por seu bruxo maior. Mas, também aqui, chega a ser ofensivo e pueril pensar que os integrantes de nosso Parlamento teriam aprovado medidas jurídicas e o próprio Código Florestal de 2012 (CF-2012) apenas porque o Dr. Evaristo lhes teria apontado a direção em que votar.

Por fim, não pretende este autor debater critérios, metodologia e pretensas premissas científicas do trabalho sob análise. Mas é preciso dizer que o artigo é confuso e peca pelo principal: busca desacreditar a metodologia dos contrários, mas isso parece apenas servir para esconder a realidade efetiva, que é o fato de não conseguirem contraditar ou provar a falsidade ou o desacerto dos dados que constam oficialmente nas publicações e nos trabalhos realizados por eles.

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