(Acompanhe texto bilíngue)
Por Marcelle de Cerjat Duarte (*)

Basta uma vez, uma única viagem, para que se fique conquistado pela Austrália, seu charme de modernidade, seu apelo à segurança pública, a operosidade de seu povo construtor de uma “civilização diferenciada” sem, no entanto, sufocar a ânsia primeira de todo o ser humano, a de bem viver, trabalhando para desfrutar as benesses da vida.
Sem complexos de culpa pelo “dolce far niente” de certas horas do dia.
Essa atitude mental diferencia o país de realidades que se observam em certas grandes potências do Ocidente, nas quais impera a servidão ao “time is money”. Trata-se de um ganhar dinheiro necessário e justo, com certeza, mas que acaba se tornando, muitas vezes, em triste pedágio à qualidade de vida, especialmente com relação ao desfrute da natureza. A cartilha australiana, graças, é outra.
Passei quase três anos na Austrália, como estudante universitária, fato que me possibilitou um amplo olhar sobre peculiaridades do país-continente.
Assim, em momentos de lazer, distante do campus, me integrei a uma ampla comunidade de jovens australianos, jovens como eu, que me passariam aulas magistrais de relacionamento humano, de receptividade exemplar aos que vão àquele país em busca de lazer, estudos, negócios, à procura de confirmação do “sonho australiano”.
Em meio às minhas observações sobre o mágico apelo que a Austrália desperta na juventude de todo mundo, foi-me impossível ficar alheia a uma realidade muito próxima a mim: o Brasil é a segunda região que mais envia jovens para a aventura australiana, em busca de educação. Fica atrás, apenas, do grupo de asiáticos.
Esses brasileiros se integram facilmente ao país hospedeiro. E representam, dispensando análises de frias estatísticas, comunidade de jovens basicamente formada de moças e rapazes oriundos de uma classe média sólida brasileira. É gente que se integra ao país – mesmo em temporadas que podem não passar de doze meses. – Alguns deles, uma minoria, até consegue permanência no país. Mas a grande massa retorna à sua pátria, quase sempre com um grito de saudade já ensaiado, na garganta.
Claro que este não é o espaço para trabalhar alongadamente o ponto de vista que vou levantar, e que fundamentalmente dependeria da adoção de políticas públicas por parte, primeiro, do governo australiano.
Minha proposta, que pela primeira vez exponho em voz alta, é que se criem programas púbicos com vistas ao governo australiano manter conexão permanente com os mais de 20 mil jovens brasileiros que anualmente desfrutam da mágica pedagogia australiana.
Na verdade, esse contingente, 6% dos 330 mil jovens de todo o mundo que anualmente desembarcam na Austrália, acabará “fatalmente” formando as lideranças públicas e privadas que constroem um novo Brasil.
E o Brasil, sabemos todos, é uma das nações prioritárias no universo das intenções da Austrália.
(*) MARCELLE DE CERJAT DUARTE, bacharel em Comunicação pela Universidade Positivo e MBA de Marketing pela EBS Business School; especialista em Filme e Mídia pelo International Film College, da Gold Coast, Austrália; diretora do Instituto Ciência e Fé, de Curitiba; é Analista de Relações Internacionais da FIEP-PR.
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(English Version)
VALUABLE OPINION: Walking together: Brazil and Australia
Written by Marcelle de Cerjat Duarte (*)

Once is enough, a single trip, to be conquered by Australia and its modern charm, its appeal to public security, its ingenuity from its people in constructing a “differentiated civilization” without, however, suffocating the first eagerness of all the human being, to live well, working to enjoy the benefits of life.
No complexes of guilt for the “dolce far niente” as the Italians say, in other words the sweetness of doing nothing during certain hours of the day.
This mental attitude differentiates the country from realities that are observed in certain great powers of the West, in which the bondage to “time is money” prevails. An attempt to earn necessary and fair money, for sure, but that ends up becoming, in many cases, a sad toll on the quality of life, especially in relation to the enjoyment of nature.
The Australian primer, thankfully, is another.
I spent almost three years in Australia as a college student, which enabled me to take a broad look at the country-continent peculiarities.
So, in moments of leisure, far from the campus, I joined a large community of young Australians, young people like me, who would teach me masterful human relations classes, of exemplary receptivity to those who enter that country in search of leisure, studies, business, looking for confirmation of the “Australian dream”.
In the midst of my remarks about the magical appeal Australia awakens in everyone’s youth, it has been impossible to be oblivious to a reality very close to me: Brazil is the second region to send young people to the Australian adventure, seeking for education, just behind Asian countries.
These Brazilians integrate easily into the host country. And they represent, without analyzing cold statistics, a community of young people basically formed of girls and boys originated from a solid Brazilian middle class. It is people who are integrated into the country – even in seasons that may not exceed twelve months.
Some of them, a minority, even managed to stay in the country. But the great mass returns to their homeland, almost always with a cry of nostalgia already rehearsed, in the throat.
Of course, this is not the place to work extensively on the point of view that I will raise, and that would fundamentally depend on the adoption of public policies by the Australian government.
My proposal, for the first time out loud, is to create pubic programs for the Australian government to maintain a permanent connection with the exceeded 20,000 young Brazilians who annually enjoy the magical Australian pedagogy.
In fact, this contingent, 6% of the 330,000 young people from around the world who annually land in Australia, will “fatally” form the public and private leaderships that build a new Brazil.
And Brazil, we all know, is one of the priority nations on Australia’s agenda.
(*) MARCELLE DE CERJAT DUARTE. Graduate in Social Communications from Positivo University, Marketing MBA from EBS Business School and Specialist in Screen and Media from International Film College, on the Gold Coast, Australia; is director of Science and Faith Institute (Instituto Ciência e Fé, de Curitiba); she is and International Relations Analyst at the Federation of industries of the State of Parana.
