quarta-feira, 13 maio, 2026
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OPINIÃO DE VALOR: AGROTÓXICO, VENENO NOSSO DE CADA DIA

Os agrotóxicos são aplicados indiscriminadamente no Brasil
Os agrotóxicos são aplicados indiscriminadamente no Brasil

Zair Lourival Schuster (*)

Há alguns anos venho acompanhando questões ligadas ao uso de agrotóxicos na agricultura brasileira, e sua coluna do dia 28 de fevereiro aborda um tema por demais interessante: “Nossa água tem cinco vezes mais glifosato do que na Europa”, nas palavras do deputado estadual Tadeu Veneri, em pronunciamento no legislativo paranaense.

A história dos agrotóxicos começa já no império austro-húngaro, passa pelo julgamento de Nuremberg, entra nos gabinetes da ONU, tem o desfecho com a entrada em vigor do Codex Alimentarius em 2009, e tem muito a ver com a Nova Ordem Mundial e o controle da população. Daria para escrever tanto, ou mais páginas da História dos Hebreus, (Historiae), de Flávius Josephus.

VENENO NOSSO

O uso de agrotóxicos nas lavouras de todo o mundo, em especial na brasileira, beira a escândalo. Se Rima Laibow, psiquiatra, doutora em medicina, que foi presidente da Natural Solutions Foundations (Fundação Soluções Naturais) nos deixou dito que, pelo menos, dois bilhões de pessoas vão morrer no mundo por causa dos agrotóxicos nos alimentos (câncer, doenças cardíacas, do aparelho digestivo, diabetes, lesões hepáticas, entre outras), limito-me a dizer que o que está em nossa mesa diariamente não é o pão nosso de cada dia, mas sim, o veneno nosso de cada dia.

DOSSIÊ ABRASCO

Tive acesso ao Dossiê Abrasco, um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde, da Fundação Osvaldo Cruz e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, e se o deputado Tadeu Veneri afirmou que no Brasil existe uma frouxidão das regras sobre o uso dos agrotóxicos, o citado Dossiê vem de encontro à essa afirmação. Textualmente, afirma que a Associação Nacional de Defesa Vegetal é uma associação de empresas que produzem e lucram com a comercialização de agrotóxicos.

É o bilionário mercado de agrotóxicos no Brasil. E alguns venenos (fungicidas, herbicidas, inseticidas, acaricidas, adjuvantes, surfactantes, reguladores e outros produtos químicos formulados) dos mais utilizados nas lavouras brasileiras, 22 estão proibidos na União Europeia. Um dos mais comercializados é o Glifosato, de elevado potencial de toxicidade.

Assim é que um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado pelos agrotóxicos. Por ano, cada brasileiro ingere cerca de cinco quilos de agrotóxicos, estando sujeitos à uma série de doenças, como cânceres, doença Parkinson, fibrose pulmonar, sangramentos, tremores musculares, lesões renais, arritmias cardíacas, intoxicações digestivas, asma, alergias, alterações cromossomiais e outras mais, que podem levar à morte.

NA ÁGUA

Revela o Dossiê Abrasco, que “considerando os municípios que declararam poluição ou contaminação, juntos, o esgoto sanitário, os resíduos de agrotóxicos e a destinação inadequada do lixo foram relatados como responsáveis por 72% das incidências de poluição na captação em mananciais superficiais, 54% em poços profundos e 65% em poços rasos”.

Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, os municípios que monitoram agrotóxicos em água potável concentram-se nas regiões Sul e Sudeste, em especial nos Estados do Paraná e de São Paulo.

Citando dados de análises de 2012, diz o Dossiê que 76% dos municípios brasileiros sequer têm acesso a informações sobre contaminação da água que se bebe, e apenas quatro estados (SP, MS, TO e PR) atingiram proporção de municípios monitorados superior a 40%.

(*) ZAIR L.SCHUSTER, jornalista, escritor, pesquisador em história do saneamento no Brasil.

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