terça-feira, 23 junho, 2026
HomeMemorialOPINIÃO DE VALOR: A ANARQUIA DA FRUSTRAÇÃO

OPINIÃO DE VALOR: A ANARQUIA DA FRUSTRAÇÃO

96-Antenor Demeterco Jr-V5SOBRE A INVESTIDA DA TURBA CONTRA UM CASAMENTO

Antenor Demeterco Junior (*)

Enquanto as balas perdidas atingem seres inocentes, acuados entre os morros e o mar na mais turística das cidades brasileiras, fatos e atos tornam o dia a dia do cidadão comum mergulhado na perplexidade.

Legisladoras, em ofensiva feminista que desmerece seus colegas de calças, ocupam a mesa presidencial da casa de leis a que pertencem, cientes previamente de que seus pontos de vista não prevalecerão.

APAGAR DAS LUZES

O apagar das luzes do recinto, a escuridão, simboliza seu malfeito.

Em atitudes que se tornaram habituais interesses contrariados levam a invasões de prédios públicos e impedimento da regular atividade legislativa.

Professores ativados por sindicatos com militância política privam seus alunos de aulas por longos períodos, e se expõem à repressão policial.

TURBA “SUI GENERIS”

A investida recente contra um casamento revelou a ação de uma turba “sui generis”.

É de Karl Marx, filósofo da conscientização do andar de baixo, o conceito de “lumpem proletariado” (“o lixo de todas as classes”), massa desintegrada constituída de indivíduos arruinados e aventureiros egressos da burguesia, vagabundos, soldados desmobilizados, malfeitores recém-saídos da cadeia, batedores de carteira, rufiões, mendigos, etc.

(cf. “Dicionário do Pensamento Marxista”, editado por Tom Bottomore, p.328).

SERES DESFIGURADOS

A turba que atuou na quebra do glamour matrimonial de jovem política, no Centro Histórico curitibano, reuniu de tudo e de todos, desde cervejistas e porristas opiniáticos, desempregados por vontade própria, drogados desfigurados, seres sem futuro almejado, recalcados inconformados, invejosos do êxito alheio, estudantes não frequentadores de aulas, torcedores amargurados, etc.

DESMORALIZARAM CURITIBA

Patrocinaram um espetáculo de cracolândia não assumida, desmoralizando nacionalmente a cidade em que não se integram.

É uma pena que o local escolhido revelou-se impróprio para as núpcias, ante a situação do país.

O grande pensador francês Ernest Renan (1823-1892), já no século XIX, advertiu que a anarquia chama a autoridade, ou seja, é a mãe espúria do reforço desta última.

Os baderneiros de todas as ordens são cegos em suas loucuradas: estão a invocar politicamente o que nunca sonharam.

APENAS UM CAMINHO

O respeito às instituições políticas e sociais é o único caminho para a convivência democrática e livre, não existem outras opções.

As lições de 1963-1964 não podem ser esquecidas: acelerar a baderna implica em adentrar quarto escuro.

Quem viveu viu.

Curitiba, 19 de Julho de 2017.

(*)ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador aposentado do TJPR; pesquisador da História do Século 20.

Leia Também

Leia Também