
Antenor Demeterco Junior (*)
A atuação militar deflagrada nesse ano distante até hoje não mereceu uma definição ante diversas focagens ideológicas de escritores e políticos: para uns, “movimento civil- militar”, para outros, “golpe”, ou “contragolpe”, ou “revolução”.
A DERRUBADA
A derrubada do infeliz presidente João Goulart era praticamente um desejo unânime da opinião nacional autorizada (não esquerdista), que envolvia na conspiração militares, empresários nacionais e empresas multinacionais, entidades patronais, a embaixada norte-americana, a Igreja católica, governadores de estado (com exceção de três).
Goulart tramava um golpe como denunciou seu amigo e colaborador insuspeito Samuel Wainer em suas memórias (cf. “Minha razão de viver”, p. 322).
SEM O CONGRESSO
E para tanto passou a anarquizar o país anunciando suas “reformas de base” à revelia do Congresso Nacional, com o provocativo comício da Central do Brasil, em frente ao Ministério do Exército, em 13 de março de 1964.
Tudo a ser imposto via decretos: desapropriações para reforma agrária, estatização de refinarias de petróleo, futuras reformas urbanas e tributária, voto para analfabetos e soldados rasos.
SARGENTOS EM GREVE
A hierarquia militar foi lançada ao lixo: sargentos em greve, prisões de dirigentes da Associação Nacional de Cabos, Marinheiros e Fuzileiros Navais por ordem do Ministro da Marinha Sílvio Mota.
Marinheiros amotinados tiveram sua prisão cancelada pelo almirante Cândido da Costa Aragão, prestigiado por Jango, que demitiu o Ministro.
O novo Ministro da Marinha Paulo Mário da Cunha Rodrigues (por 5 dias) figurou em lista tríplice organizada pela Confederação Geral dos Trabalhadores, como chefe de uma “comissão revolucionária” (cf. “Até a última página”, de Cezar Motta, p.133).
ANISTIA DOS MARUJOS
A marujada rebelada foi anistiada pelo presidente da república.
Os titulares de grandes jornais apoiaram as movimentações da cúpula militar contra o Brasil folia, inclusive o icônico Dr. Roberto Marinho de “O Globo”, e fundaram a Rede da Democracia.
JB INVADIDO
Na noite de 31 de março de 1964 a sede do Jornal do Brasil foi invadida por fuzileiros navais.
Plantada a anarquia generalizada, dialeticamente apresentou-se a autoridade: Goulart foi para o espaço.
E o novo presidente Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, contou, inicialmente, com o apoio de Juscelino Kubitschek e de Ulysses Guimarães.
DE VOLTA

Passadas as décadas, voltam os militares para o governo nestas eleições de 2018 (não de modo direto), agora democraticamente.
Um descendente do demitido Jango habilitou-se como candidato, e sequer foi lembrado em pesquisas eleitorais.
SEM DEFENSOR
É interessante notar que após deixarem o poder os militares passaram a receber críticas violentas, mas João Goulart não mereceu até hoje nenhum defensor entusiasmado.
Vamos em frente!
É interessante notar que nossos generais passaram a fazer o que não gostam: bater continência a um ex-subalterno.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR: desembargador aposentado do TJPR; advogado. Especialista em História do Século 20.
