
Na era das redes sociais, depositam-se flores virtuais nas páginas daqueles que já se foram. Há mensagens de feliz aniversário para os anos que não vieram, para a idade que não chegou. Foi-se. Parou no tempo. A recente morte do jornalista Carlos Alberto Pessoa, o Nêgo, é um exemplo.
Há quem pergunte de seu estado de saúde no Facebook e receba a informação de que ele morreu. Há quem deixe saudade, dor, um até breve.
Nêgo Pessoa morreu na segunda-feira (14), por volta de 7h30 da manhã, foi velado, cremado e suas cinzas jogadas ao vento, ao mar, ao léu. Uma rápida pesquisa desta coluna reencontra também outros dois amigos que faleceram há mais tempo e ainda seguem nas páginas do Facebook, dolorosamente vivos.
NOVISKI
Em 1º de abril de 2015, o chargista e cartunista Carlos Alberto Noviski postou uma foto de um copo de uísque no Face, indagando, em tom de brincadeira, se uma dose faria mal na véspera da cirurgia bariátrica.
Três dias depois, ele estava morto, fulminado por um ataque cardíaco. A cirurgia fora a solução encontrada pelos médicos para livrá-lo da obesidade mórbida. Ele pesava, a essa altura, de impublicáveis 200 quilos e já não conseguia andar ou se movimentar.
PAROU NO TEMPO
A página de Noviski, no entanto, parou no tempo. A última postagem é também de 1º de abril e exibe um vídeo jocoso de Edir Macedo, pastor da Igreja Universal de Deus. Nada mais. Há os que preferem o silêncio, há os que a visitam para mitigar a dor, há os que veem na manutenção do perfil uma afronta à memória do falecido.
MEMORIAL SUGERIDO
Em 2014, o Facebook sugeriu criar um memorial das pessoas mortas. A ideia parece tenebrosa por todos os ângulos. Para apagar a página é preciso uma solicitação especial que consta nas configurações do site. A página pode ser transformada em memorial ou apagada, segundo o desejo do parente ou amigo.
APAIXONANTE, ALEGRE, DIVERTIDA
A jornalista Ana Lúcia Veloso Nantes faleceu em 2013 e sua página continua a ser visitada. Quem a conheceu na redação do Jornal do Estado diz que ela era “apaixonante, alegre, divertida e sempre em alto astral”. Nos últimos anos de vida, ela passou a se dedicar às corridas de rua. Enfrentou a maratona de 42 km, em Curitiba, e a de revezamento em Florianópolis. Quando não estava correndo, estava jogando futebol com as amigas e quando não fazia nenhuma dessas coisas, dava expediente na assessoria de imprensa da Polícia Militar do Paraná ou mimava o filho.
Uma doença oportunista a levou.
FLORES PARA ANA
A página, no último dia 14 de abril, data do aniversário de Ana Lúcia, recebeu várias mensagens e há imagens de flores depositadas como se numa lápide. É uma homenagem que os amigos prestam todos os anos. Por que deletá-la?
