quarta-feira, 6 maio, 2026
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O QUE DELTAN DALAGNOL QUER SER QUANDO CRESCER?

Deltan Dalagnol: nada modesto
Deltan Dalagnol: nada modesto

O procurador do Ministério Público Federal, Deltan Dalagnol, escreveu um livro. “A Luta Contra a Corrupção” percorre, em 320 páginas, o desafio que ele enfrentou ao aceitar participar do esquema de lavagem de dinheiro que mais tarde viria a se tornar a Lava-Jato. Aos 37 anos, Dalagnol não poupa elogios a si mesmo. Conta que, na juventude, foi sua condição privilegiada que permitiu que ganhasse do colégio em que estudou um carro como prêmio por seu desempenho no vestibular. Abriu mão do carro, vendeu-o e doou o dinheiro a uma instituição de caridade (não diz qual).

SEM MODÉSTIA

Sem ele, talvez a Operação Lava-Jato não existisse. É o que ele diz, sem ponta de modéstia. Não se pode negar o trabalho de Dalagnol à frente das investigações do maior escândalo de corrupção do mundo. Mas é preciso conter-lhe os arroubos. Em 2016, no afã de mostrar trabalho, ele desprezou o conselho de assistentes e técnicos, e tratou de compor uma das imagens mais constrangedoras da Lava-Jato: o powerpoint do Deltan. O resultado foi uma apresentação em que todos os caminhos e setas levavam a Lula, o rei do esquema. Pegou mal, mas ele diz que se tratava de uma apresentação “didática”.

96-livro-inclinadoCLARK KENT

O livro não trata dos bastidores da operação como se esperava. Na verdade, metade de suas páginas detalha as 10 medidas anticorrupção propostas pelo MPF, que ele se empenha em defender. Traduz-se no texto o que Dalagnol vem fazendo nos vídeos publicados nas redes sociais: convocar a população para que pressione seus congressistas e os faça aprovar o projeto de lei cuja origem está nas medidas elencadas.

Dalagnol tem boas intenções, mas está claro que, assim como o Clark Kent dos gibis, parece disposto a trocar de uniforme na cabine telefônica mais próxima quando a Justiça clama.

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