O bispo Rodovalho, presidente da Igreja Sara Nossa Terra, e também presidente do Conselho Nacional de Ministros Evangélicos do Brasil, escreveu na Folha de São Paulo que está na hora de os evangélicos pensarem em eleger um presidente da República. Teriam votos suficientes para isso, disse o religioso.
ESQUECE O MAIS IMPORTANTE
No entanto, Rodovalho não entrou no exame do que mais importa – muito mais que sigla religiosa: têm os chamados crentes projeto para o Brasil, capaz de fazer o país fugir dessas ratoeiras que habitam a vida nacional, como as bancadas “temáticas” no Congresso?
BANCADAS “TEMÁTICAS”!
As bancadas evangélica, a da bala, a do agronegócio não são exatamente exemplares para a cidadania. Isso sem falar nas bancadas dos radicais da esquerda e da direita espalhadas por diversos partidos. Elas também têm de ser citadas, não são inocentes, participam da montagem do caos brasileiro de forma persistente.
BANCADA CATÓLICA
Também anote-se a existência da pouco expressiva bancada dita católica, que se guia por muitos dos princípios fundamentalistas do evangélicos.
Um dos expoentes desse grupo católico é um “eterno jovem” – já cinquentão – Heros Biondini, deputado federal por Minas Gerais, notabilizado por ser um cantor de músicas de acento espirituais. E tem também outros tipos no mínimo estranhos, como o deputado federal de Goiás chamado de Carimbão…
CANÇÃO NOVA DÁ APOIO
Biondini tem o apoio do poderoso novo movimento católico Canção Nova, hoje com ação nacional, e trabalhos em diversos países, como Portugal, Itália, França, Estados Unidos, Israel. Sua rede de televisão e rádio tem ouvintes – milhões – fidelíssimos.
EXEMPLO DE LONDRES
Não descarto a importância de qualquer homem público ter uma sólida formação religiosa. Advogo mais que isso: que tenham formação espiritual. Mas que ela seja conectada com a realidade do país, que ajude a mudar o ciclo de exploração política e pobreza em que o Brasil vive mergulhado desde 1500.
Quero lembrar o exemplo de Londres, uma capital europeia ainda cristã (pelo menos, pertence ao mundo cristão ocidental): a cidade é governada por um prefeito muçulmano. E vai se saindo sem dificuldades para governar.
GEISEL, UM LUTERANO

O general Ernesto Geisel foi o presidente do regime ditatorial iniciado em 1964. Caracterizou-se pelo projeto de abertura democrática, que implantou e garantiu até o fim.
Geisel, gaúcho de Estrela, RS, nacionalista extremado, estatista consumado, era luterano. Pertencia, assim como a mulher e a filha à Igreja Evangélica da Confissão Luterana (Sinodal). Foi o primeiro presidente evangélico do Brasil. Se bem que alguns referenciais históricos indicam que João Café Filho, vice de Getúlio Vargas que assumiu a presidência com a morte de GV, seria evangélico, metodista. A conferir.
UMA IGREJA ÉTNICA
A primeira igreja étnica a instalar-se (não oficialmente) no Brasil foi a luterana. Lá por anos 20 do século 19 eles estavam num projeto experimental de colonização, na Bahia. O projeto não vingou.
O que se tem de observar quando se citam evangélicos: antes da onda de igrejas protestantes de missão (como as assembleias de Deus, Congregação Cristã, metodistas, etc) o brasileiro só identificava como evangélicos os luteranos.
Com dois ramos no Brasil (Igreja da Confissão Luterana, a pioneira) e a Luterana do Brasil, os luteranos, via de regra, não são sempre muito bem aceitos pela maioria evangélica do país.
FORA DO REBANHO
E eles também se excluem do “rebanho” por uma mesma razão: os filhos de Lutero, luteranos, seguem uma linha social muito atrelada à da CNBB, pedindo que a fé seja geradora de mudança da sociedade.
