terça-feira, 12 maio, 2026
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O ‘AMARRA CACHORRO’ DE SÉRGIO CABRAL

Corcovado: cachorro sem dono...
Corcovado: cachorro sem dono…

Quem viu o mais recente depoimento de Sérgio Cabral ao juiz Marcelo Bretas, na Justiça Federal, não precisará ver as imagens chocantes de violência protagonizadas pela torcida do Flamengo antes e depois do jogo no Maracanã, na quarta-feira. O Rio sempre foi caudaloso em política e futebol. A ponto de um e outro se confundirem (Eurico Miranda que o diga). Agora exibe em pelo a terrível parceria com a bandidagem.

R$ 70 MIL MENSAIS

Bandido foi o torcedor do Flamengo que se aproveitou de um atropelamento na confusão que tomou conta das ruas próximas ao Maracanã para assaltar a vítima estendida no chão. Bandido foi o ex-governador Sérgio Cabral que, note-se, mais à vontade na sua condição de presidiário e réu confesso, chamou o delator, Carlos Miranda de “amarra cachorro”, secundando a condição dele de operador de luxo. O termo foi importado da malandragem para designar um “faz-tudo”. Miranda era o encarregado de saldar as contas da família e resolver as pendências. Pelo trabalho, o ex-governador pagava a ele R$ 70 mil mensais. Sim, era esse o salário do “amarra cachorro”.

UM INFILTRADO

Qual é a diferença entre o torcedor do Flamengo que bateu a carteira da vítima e Sérgio Cabral? O relativismo. Cabral diz que Carlos Miranda é delator porque, criminoso, quer se beneficiar da delação, o que é óbvio.

Já o torcedor que bateu a carteira da vítima no lado externo do Maracanã não é um torcedor, é um infiltrado. Essa pelo menos é a afirmação do presidente do Flamengo para tentar, em vão, explicar a violência protagonizada por torcida na decisão da Sulamericana. O cartola disse que o Flamengo não merecia isso e o torcedor também não. Aqueles que trajavam a camisa do time carioca, indefectível em suas cores, não integravam de maneira alguma a torcida. São baderneiros, dispostos a manchar a honra do clube.

ATÉ AS CRIANCINHAS

Que fique registrado: os marginais invadiram o estádio às centenas, romperam cancelas, roubaram ambulantes no interior do estádio, depredaram os ônibus do time adversário, saquearam, destruíram cadeiras, invadiram lojas do estádio e usaram de violência covarde atacando e roubando em grupos. Nem mesmo as crianças – os flamenguistas do amanhã – foram poupadas.

CUIDADO COM A CARTEIRA

Por isso aqui vai um alerta ao cantor baiano Gilberto Gil. Na próxima vez que arriscar o verso de “Aquele abraço” (“O Rio de Janeiro continua lindo”) convém, discretamente, conferir a carteira.

O Rio é um cachorro amarrado sem dono.

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