quarta-feira, 22 abril, 2026
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No comércio, terços são bem mais que expressão de fé

Terços Guto Koech
Terços Guto Koech

A fé religiosa virou bom motivo para comércio há centenas de anos. Ou teria nascido e crescido junto com atividades mercantis?

O que se sabe é que o bicho homem, cultuando seus deuses, e depois, com o monoteísmo trazido pelo judaísmo, cultuando Yaveh, nunca se separou do comércio religioso.

No Templo, o comércio escancarado levou Jesus a expulsar, a chicotadas, os vendilhões lá estabelecidos.

No cristianismo, as barbaridades comerciais chegaram ao auge com a venda de indulgências, contra as quais se insurgiu Lutero no século 16.

As igrejas eletrônicas e os grandes templos neopentecostais espalhados no mundo, hoje são bom exemplo de quão rendosa pode ser a exploração da fé.

“ORDENS MENDICANTES”

E as chamadas “ordens mendicantes” católicas, ironicamente cresceram e se tornaram bilionárias vendendo a singeleza do Evangelho. Isso sem contar que a prática da “devolução do dízimo” disseminou-se a partir de Lutero e ajudou a solidificar o capitalismo, especialmente nos Estados Unidos. E a fazer bilionários, alguns dos quais, do Brasil, frequentam as listas dos homens mais ricos do país, segundo a revista Forbes.

ANTROPOLOGIA

O assunto entra no universo do antropológico. Não tem fim, é muito rico em variáveis e vertentes.

Isso tudo é dito para lembrar que o curitibano Guto Koech e sua mãe, Mary, descobriram no terço católico uma fonte de realização empresarial. Nem sei se são católicos: ele é apresentado como marquetólogo e jornalista; ela, designer.

Eles conseguiram tirar os rosários (ou terços) dos balcões puramente religiosos de livrarias e igrejas católicas. E os fizeram sucesso de venda no mundo secular.

PARA PRESENTE

Há 3 anos eles, distribuíam terços de presentes para amigos (de início para apenas homens); depois, partiram para tornar os rosários requintados e vendidos em escala. Hoje a família produz 200 terços por mês, atendendo a todos os públicos.

NA IDADE MÉDIA

Não posso pretender que os Koech façam uma imersão na história dos terços (ou rosários), que nasceram na Idade Média para exercer papel evangelizador, sobretudo levando em consideração que a maior parte da população de então, no universo católico, era analfabeta. O terço, então, teria por papel de ser uma espécie de “bíblia”, resumindo os mistérios da fé.

QUEM COMPRA

Acho que os Koech estão trabalhando direito. Vender terços não faz mal a ninguém. O ideal seria que esses comerciantes apresentassem o produto não como meros amuletos. Mas como objeto de fé e como uma expressão da história do Homem.

De qualquer forma, os que são clientes da família têm muita visibilidade: Susana Vieira, Luana Piovani, Caio Castro, Lázaro Ramos, Michel Teló, Sorocaba, Luan Santana, Ludmilla, Valesca Popozuda, Claudia Leitte, Naldo, Felipe Titto, Daniele Hypólito, Dr. Doctor Rey (Dr. Hollywood), Cafú, Buchecha, Bruno Cagliasso, Henry Castelli, Renan Oliveira, Lucas Lucco, Rodrigão e Jonas Sulzbach.

Luana Piovani, Lázaro Ramos e Luan Santana
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