
Dia 19, quarta, das 17 às 19 horas, testemunhei no endereço da Rua Bom Jesus, 76, sede do Instituto Jaime Lerner, um desfilar de gerações, no mais afetivo e desinteressado “beija mão” que se poderia testemunhar.
As duas filhas, netos, genros, amigos de todas as idades e tonalidades políticas, ex-secretários de Estado, políticos, arquitetos de todas as tendências, ex-desafetos – todos reverenciando Jaime Lerner pela passagem dos seus 80 anos.
DORES DO CIÁTICO
As dores incessantes que sente, provocadas pelo nervo ciático, não conseguiram perturbar o urbanista, gênio que Curitiba entregou ao mundo como um de seus mais importantes filhos. Importância que as maldades e as refregas políticas do passado não conseguiram ofuscar.
Ele aguentou firme o impacto da festa, driblando dores não mencionadas, mas notáveis em certos momentos de expressões faciais contraídas.
ATÉ MEIA NOITE
Não sei o que se passou depois das 19 horas. Sei que a festa continuou, até meia noite. E foram chegando novos amigos. Três deles paradigmáticos na vida de Lerner: Jaime Lechinski, Dante Mendonça e Maí Nascimento Mendonça.
Impossível esquecer encontros de dois ases da criação publicitária, que vi se cumprimentando: os publicitários Sergio S. Reis e Claúdio Loureiro, da Heads. Assim como Gerson Guelman e Geraldo Pougy estavam naquele universo de amigos em torno de JL. Havia boa bebida e buffet para todos.
IMPRESSIONANTE
O que eu vi me impressionou: foram momentos superlativos. Eu os avaliei com o espírito crítico, quando, por exemplo, Saul Raiz, Maurício Schulman, João Elísio Ferraz de Campos, Segismundo Morgenstern, Euclides Scalco foram abraçando Lerner. Ele ficou quase todo tempo sentado, mas para cada situação e amigo tinha uma palavra oportuna.
O diálogo com Luiz Geraldo Mazza, jornalista que tanto o criticou com o prefeito e duas vezes governador, não consegui ouvir. O que ouvi, surpreso, foi um Jaime Lerner contidamente alegre. Em tudo parecendo feliz, mais ainda quando executou “Moses”, no piano que o pessoal do seu escritório deu-lhe pelos 80 anos.
ILANA E VALÉRIA
A mestra de cerimônias foi a sempre presente alma do Instituto, Valéria Bechara, que ajudava as filhas Ilana e Andrea (esta, vinda de Nova York, onde mora, para a festa) a receber os convivas.
COM A NETA
“Moses” foi a canção dedilhada pelo JL apenas depois de quatro aulas de teoria musical.
Com a neta Sophie, 12 anos, filha de Andrea e Sebastian, executou a quatro mãos a peça “Dreams a little dream of me”. Foi momento único, assim como quando, acompanhado por Osvaldo Navarro, no clarinete, e Abrão Assad, na gaita de boca, ganhou aplausos demorados com “Samba da Benção”, de Vinicius.
Enfim, momentos únicos de Curitiba.
Anotei o entusiasmo do ‘piazinho’ de três anos, Leo, neto de Clarita e Henrique Naigeboren, sobrinho neto de Jaime. Ele cantava e batia palmas, entusiasmado com a performance do tio-avô, que o saudou como “o mais jovem membro da família”.
As fotos de Leonardo Lima registram esses e outros momentos da noite memorável de festa e reverência a Jaime Lerner.









