
Judas Tadeu Grassi Mendes, ex-diretor da FAE Business School, professor aposentado da UFPR, doutor em Economia Agrícola nos Estados Unidos, fundador da EBS Business School, é a mais notória e acatada autoridade paranaense em Economia Agrícola.
Foi a ele a que recorri para esclarecer um dos temas mais momentosos surgidos com a eleição de Jair Bolsonaro: a ameaça da China Popular de travar a economia do Brasil “caso o novo governo persista em seguir a linha de Trump”, de restrição e barreiras aos negócios com Pequim.
O acadêmico diz que o Brasil nada tem a temer da China.
Também Judas Tadeu responde sobre o superministério que Paulo Guedes vai comandar. Eis as respostas de Judas Tadeus Grassi Mendes:
1 – Como vê as relações de negócios entre China e Brasil?
A China, maior produtor e também maior consumidor mundial de produtos do agronegócio, chegou ao seu limite físico de não mais poder aumentar internamente a área cultivada, ou seja, praticamente não tem como expandir a oferta de produtos agrícolas na própria China. Por outro lado, a demanda por produtos do agronegócio na China só tende a aumentar por duas razões: de um lado ainda continua o fluxo rural-urbano da sua população e também pelo aumento da renda de sua população.
2 – O Brasil tem situação confortável diante da China?
Como a China não tem como atender internamente esta demanda aumentada, o Brasil é o único país no mundo que tem condições de atender a esta demanda. Por isso, pode-se dizer que na relação comercial Brasil-China, o Brasil é vital para os chineses, mas a China é apenas importante para os brasileiros.
“ISRAEL VAI TRANSFERIR TENOLOGIA PARA O NORDESTE”
3 – Afinal, na relação entre Brasil e China, quem tem maior cacife?
Eu ousaria dizer que a China será cada vez mais dependente do Brasil por causa do agronegócio. Todos sabemos do interesse chinês em terras brasileiras, como a China vem fazendo com as terras de Angola.
Este aparente atrito agora gerado, será seguramente contornado, pois os dois países têm crescente interdependência entre si.
SOBRE PAULO GUEDES
4 – Qual sua impressão sobre o superpoderoso ministro Paulo Guedes?
Conheço pessoalmente o Paulo Guedes desde 2011, com que trocamos mensagens pelo WhatsApp até.
É um profissional de primeiríssimo nível, muito qualificado e experiente no mercado financeiro e um cara financeiramente resolvido.
5 – É correta a junção dos ministérios da área econômica?
Sou totalmente favorável à junção dos atuais ministérios da Fazenda, Planejamento, Comércio Exterior e Indústria num único, o de Economia, para dar coordenação nestas importantes áreas, evitando que o setor industrial faça as pressões que tradicionalmente faz de isenções fiscais para determinados setores da economia.
6 – Então, você avalia que Bolsonaro está começando bem?
Bolsonaro está surpreendendo positivamente nas indicações iniciais de seus futuros ministros, incluindo Sergio Moro, que vai também juntar várias pastas numa única, principalmente o da Justiça e o de Segurança Pública.
7 – Que mudanças Guedes poderá gerar para o país?
Paulo Guedes vai promover importantes mudanças para o Brasil voltar a crescer e a gerar empregos. Tenho convicção também que este novo governo vai trazer mudanças para o Nordeste, fazendo uma parceria com Israel, que vai transferir tecnologias para produzir no deserto. Assim, o Nordeste, que hoje é fortemente petista, vai esquecer definitivamente Lula e o PT, porque nenhum governo fará pelo Nordeste como irá acontecer.

