quinta-feira, 9 julho, 2026
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INGRID, DO PARANÁ, É PRIMEIRA MULHER A TER MORANGO COM SELO BRASIL

Ingrid de Souza, a vencedora; Renata Calegario, da UFPR

Em junho de 2019, a Staw Agricultura, de Ingrid Souza, recebeu o Selo Brasil Certificado, primeiro morango do Estado do Paraná a receber esse Selo do Ministério da Agricultura na produção integrada de morango – PIMo. Ingrid é a primeira mulher produtora a ser certificada no Brasil.

 

Ingrid conta que foram 3 anos de muito trabalho, dedicação e paixão em produzir da melhor maneira possível, respeitando o meio ambiente, praticando as boas práticas agrícolas, utilizando mecanismos de defesa naturais e biológicos para garantir um morango bonito, saboroso e principalmente seguro para o consumo.

SEGUINDO AS NORMAS

Desde 2016 produz seguindo as normas, com auditorias, treinamento dos funcionários, adequação das instalações, incluindo banheiros e casas de embalagens. “Seguimos tudo à risca”.

É necessário um investimento inicial maior, mais a divulgação do selo e do que ele oferece, além de mão de obra qualificada. Mas são muitas as vantagens. Além do cultivo com menos defensivos agrícolas, mudamos nosso sistema de irrigação, usando muito menos água, afirma Ingrid.

COMO CONSUMIDORA

A produtora buscou a certificação pensando primeiro como consumidora, preocupada com a procedência e a forma de produção. “Pesquisei o Selo e vi que ele garante rastreabilidade, que significa qualidade e segurança do morango. Como o mercado está mais exigente, o consumidor quer saber o que foi aplicado e como foi produzido. E com o Selo, conseguimos um valor agregado a um produto que usa tecnologias e boas práticas, garantindo um morango seguro”, enfatiza Ingrid.

Desde o começo queríamos uma produção diferenciada e segura, por meio de tecnologias e manejo eficiente, produzindo praticamente o ano todo. As boas práticas agrícolas, o manejo e a higienização, tudo isso impacta positivamente na qualidade do morango e as pessoas percebem isso.

Não é fácil ter uma produção agrícola, só quem tem ou conhece sabe os desafios diários que enfrentamos para produzir. A agricultura ainda é dominada pelos homens. Enfrentei muitos preconceitos, como quando ia em feiras procurar por novas tecnologias e ninguém me atendia.”

ÚNICA MULHER

“No início do programa, eu era a única mulher produtora e foi muito importante minha participação, pois a troca de informações, nos cursos e nas visitas, entre os produtores participantes do programa foi muito enriquecedora para a minha formação em agronomia”, acredita ela.

As visitas às propriedades onde pude ver as técnicas utilizadas por cada produtor também ajudaram no meu dia a dia, pois pude ver onde cometia erros e confirmaram meus acertos.

PROFESSORA DA UFPR

A professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Renata Calegario, antes de ir para o Paraná, foi a primeira responsável técnica pelas lavouras da PIMo em São Paulo. Ela depois trabalhou com os produtores no Paraná, inclusive com a Ingrid.

“É muito significativo ver uma mulher no comando de um campo de produção no cenário agrícola, que é tão masculino. A cultura do morango demanda um manejo intensivo e isso demonstra a grande capacidade que temos em realizar os trabalhos. É curioso ver a presença marcante das mulheres na PIMo, ocupando posições fundamentais e importantes do projeto”.

E quanto à primeira certificação no Estado do Paraná, fico muito feliz porque há anos diversos trabalhos vêm sendo direcionados aos produtores visando qualificá-los para que pudessem colocar em prática as normas técnicas, comemora.

A coordenadora do Programa PIMo-PR, Maria Aparecida Zawadneak, da UFPR, participou dessa certificação. Ela explica que as atividades de pesquisa focadas na produção de morangos sob sistema de produção integrada e as de extensão para difundi-las no Paraná estão sendo realizadas pela Universidade desde 2009.

Com o apoio de parceiros como a Emater PR e o sistema FAEP/Senar, durante estes 10 anos muitos produtores foram capacitados nas alternativas ao sistema convencional de produção de morangos.

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