COMO EXPLICAR A BANCADA EVANGÉLICA?

O assunto evangélicos na política é um universo inesgotável, que se amplia enquanto o chamado “mercado religioso brasileiro se alarga”. Quem quiser aprofundar o tema, há vasta bibliografia produzida pelo mundo acadêmico à disposição.

Na verdade, o que está acontecendo na vida brasileira é a substituição da velha matriz católica do país – a Nação, não esquecer, nasceu sob as bênçãos da Igreja e da Sé de Pedro. Assim, para mim parece até natural esse “avanço evangélico” no Congresso, embora a Pesquisa DataFolha diga que recomendações de líderes religiosos não influenciam na hora do voto.
Influencia, de alguma forma, pois, se não, como explicar a chamada Bancada Evangélica, em que, agora, até inclui o radical Jair Bolsonaro (mas ele votou contra Temer, na Câmara, quarta-feira)?
Acho que indicações de pastores não tem influenciado em eleições para o executivo; mesmo assim, a forte presença evangélica já garantiu a eleição de um bispo licenciado da Igreja Universal na Prefeitura do Rio. Ele, Marcello Crivella, é a aposta da IURD para próximas batalhas em busca da Presidência da República, aposta que, estou certo, não garantirá votação evangélica maciça no indicado de Edir Macedo, porque não existe muita afinidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais. Nem entre a maioria dos pentecostais (como Evangelho Quadrangular e assembleias de Deus) com a IURD.

Observo, a propósito: o mais antigo ramo pentecostal criado no Brasil, a Congregação Cristã no Brasil (sete meses antes das assembleias de Deus, em 1911), por questão doutrinária não se envolve e não deixa seus membros se envolverem em política.
Outro segmento religioso que abomina a política, também por questão de fé, é o das Testemunhas de Jeovah. Mas elas não são evangélicas. Pertencem, a um universo outro de classificação no mundo do sagrado, assim como os Mórmons.
(SEGUE)
