quinta-feira, 7 maio, 2026
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REPERCUTINDO: Greca está destruindo o legado urbanístico de Curitiba, com “boom” de alvarás para prédios

O pseudo-urbanista prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo decidiu cuspir na tradição urbanística de Curitiba e conceder todos os pedidos de alvarás para o setor de construção civil, em especial nas áreas nobres da cidade

 

Sem pudores e com ausência plena de visão urbanística, o alcaide mandou que a Secretaria Municipal de Urbanismo, Ippuc e o obediente supersecretário Luiz Fernando Jamur aprovem os alvarás. A determinação é fazer vista grossa aos impactos que futuros prédios trarão para a cidade. Com isto, estão se revirando nos túmulos , Alfred Wilheim, Rafael Dely, Cenevida, Ficinski e Jaime Lerner, entre outros grandes urbanistas de Curitiba notáveis pela revolução urbana de 1971 capitaneada por JL.

Quem percorre a cidade, no pós-Covid e pós período eleitoral, vê aglomerados de construções que iniciaram ou estão iniciando as obras nos bairros nobres de Curitiba, onde o zoneamento é mais restritivo. O boom da construção em Curitiba era natural, mas o que tem espantado o quadro de servidores municipais é a forma impositiva com que os alvarás estão sendo pedidos.

Rafael Greca de Macedo

“Os nossos técnicos municipais ajustando projetos, orientando arquitetos de incorporadoras imobiliárias e encontrando soluções para que as construtoras possam construir de forma desordenada na cidade. A ordem do prefeito é atender o setor e ele avisou que não quer ouvir queixas ou reclamações”, disse um servidor recém-aposentado da Secretaria de Urbanismos.

O mesmo servidor afirmou que “ é a primeira vez que o funcionário público é obrigado trabalhar descaradamente para a iniciativa privada”… Será a última? Com Greca, nada se pode garantir nesse sentido. O alcaide conta com o silêncio obsequioso da Câmara |Municipal de Curitiba, onde existem 6 ou sete opositores do alcaide, mas que também pouco se movimentam na fiscalização dos atos do prefeito.

Luiz Fernando Jamur

Segundo o técnico aposentado, o caso mais descarado está no entorno do Shopping Pátio Batel. Numa área, de cinco quadras, formadas pelas ruas Carmelo Rangel, Olavo Bilac, Hermes Fontes, Francisco Rocha, Josefina Rocha, foram autorizados 10 prédios de alto padrão. Em média estes empreendimentos terão nove pavimentos (alguns maiores, por causa do uso do potencial construtivo), com cinco garagens por apartamento, sendo dois por andares.

Vitor Hugo Puppi. (Foto: Carlos Costa/CMC)

DESAJUSTE AMBIENTAL

“Essa liberação em lote vai provocar uma superocupação do solo, desajustes ambientais e de trânsito, além de afetar ruas onde há casas de interesses de preservação, com características modernistas”, alerta o servidor aposentado, referindo às casas nas ruas Carmelo Rangel e Hermes Fontes. Entre as construtoras beneficiadas estão a JN Construtora, a Adriática, Construtora Bouw, San Remo, Vincere Incorporadora, Invescon, entre outras.

Rafael Dely

Na rua Carmelo Rangel, em menos de 100 metros foram liberados três empreendimentos. De uma só vez serão construídas 54 unidades habitacionais, que terão vagas para cerca de 270 veículos. O número de novos carros é superior ao do tráfego atual, com circulação de 230 carros por dia. “Nessa rua a rede de drenagem é antiga, com mais de 70 anos, serão necessários cortar oito árvores e serão impermeabilizados mais de 9 mil metros quadrados de solo. Um verdadeiro desastre”, diz um servidor da Regional Matriz.

NADA É POUPADO

Nem mesmo o parque Gom será poupado desse desequilíbrio ambiental. Num raio de cem metros do bosque do parque, considerado uma área de preservação permanente, serão construídos cinco empreendimentos. Três serão na rua Carmelo Rangel, um bem atrás do parque, outro ao lado da casa do ex-deputado Ricardo Gomide, e o último na Carmelo Rangel com frente para a Francisco Rochja, ao lado da sorveteria Cold Stones.

Lubomir Ficinski

Na Francisco Rocha, outro empreendimento, próximo do bosque sairá pela construtora Bouw. E essa mesma empresa construíra um outro empreendimento na esquina da Hermes fontes com a Desembargadora Costa de Carvalho, na saída do shopping Pátio Batel. Dona Matilde da Luz, nossa preciosa repórter, sabe que “ há um lobista forte que tem mais força que o secretário Luiz Fernando Jamur, e seu fiel escudeiro, Julio Mazza, secretário de Urbanismo” Na rádio-corredor, o dedo é direcionado para o assessor especial de Greca, Lucas Navarro de Souza, como aquele que estaria executando ordens tão heterodoxas de Greca. Isso é apenas uma possibilidade, nada provado.

Acontece que Lucas, um novato, mas preferido de Greca, “mostra visíveis sinais de que está no comando. Com isso, pode estar se denunciando como executor de contatos que acabam gerando danos irremediáveis à Cidade”, observa um ex-vereador que, vez por outra, até freqüenta o gabinete do alcaide…

Jaime Lerner

Dona Matilde não conseguiu comprovar se é Lucas esse “veículo” dos enormes danos urbanísticos e à qualidade de vida da cidade. O que ela sabe – e isso diz em voz alta – é que “entre os fatores que contribuíram com a queda de Vitor Puppi estava a sua lentidão em emitir os alvarás.” Como os alvarás são emitidos pela Secretaria de Finanças, Pupi tentou organizar a bagunça na área de construção civil; mas essa disposição do ex-secretário “ajudou a queimar sua imagem entre Greca, Aranha Marrom e o inner grupo do atual alcaide”, garante um vereador que, sem muita disposição de mexer num assunto “bomba”, limitou-se a exclamar: “Greca está jogando no lixo sua história. E ela já não era boa…”

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