
Este texto estava programado para ser publicado no Dia do Jornalista, na semana passada. Hoje, consegue-se o feito; a Coluna/site o apresenta também na forma de carta-memorial que o radialista Jefferson Gomes escreve. Ele proclama sobretudo para as novas gerações de comunicadores, o papel que Maria da Graça Gomes, sua mãe, teve no jornalismo paranaense: foi uma libertária, no sentido amplo da palavra, tendo atuado em diversos órgãos de imprensa de Curitiba. Aposentou-se estando a trabalhar no Ministério Público do Paraná.
Graça Gomes trabalhou comigo no jornal Indústria & Comércio, no qual expôs amplamente suas qualidades de repórter. Era daqueles que cobriam o fato “enquanto a notícia acontece”. Tempos antes das redes sociais e do caos gerado pelo uso indiscriminado dessa arma que é a web, que dá poder “aos imbecis”, conforme Umberto Eco.
Dizer que Graça Gomes lutou o bom combate é pouco. Ela sempre deu o recado aos leitores. Os temas de cunho social envolvendo o menor, as famílias carentes, a fome , assim como toda a injustiça social foram seus temas preferidos. Ela, que sempre brigou pela garantia dos outros, acabou, em certa fase de sua vida, ferida por um erro médico, ao ser submetida a operação da coluna vertebral. Pediu – e eu escrevi – o prefácio do livro que pretendia escrever sobre o erro que a comprometeu fisicamente para sempre. Foi obrigada a andar de muletas.
O livro acabou não saindo – “há muitos poderosos interessados em calar-me”, disse-me um dia.
Bonita e também vaidosa, Graça tinha uma grande paixão, o filho Jefferson, que escreve o texto a seguir sobre essa mulher singular, que fez questão de não passar como turista pela vida.
MENSAGEM FILIAL
Por Jefferson Gomes
Maria da Graça Gomes (minha mãe), foi a melhor mãe do mundo, nasceu em 16 de maio de 1948. Foi exemplar jornalista, uma das mais expressivas na área política.
Estou sentindo muita falta dela, minha mãe amada, que hoje está no céu, no paraíso e está muito bem no plano espiritual, graças a Deus. Ela começou trabalhando na Arquidiocese de Curitiba, depois trabalhou nos
jornais: Estado do Paraná, Gazeta do Povo, Jornal do Estado, Indústria & Comércio. Trabalhou também como repórter na TV Paranaense, canal 12, participando de várias reportagens, incluindo TV Mulher.
Minha mãe também foi jornalista na Secretaria de Educação do Paraná. Num tempo, escreveu para a Vejinha do Paraná, sua preferência entre os veículos. Depois, fez concurso para o Ministério Público e se aposentou pelo MPPR, vítima que foi de erro médico.
Minha mãe, nos últimos anos ficou muito doente, batalhou muito contra uma doença, mesmo assim foi guerreira, forte e persistente. Sinto muita falta dela, que ela faria 74 anos no dia 16 de maio de 2022. Mas fico tranquilo, porque mamãe está em um lugar muito bom, tenho certeza que um dia a verei novamente. Espero que seja pelo menos daqui duas ou três décadas. Para ela mando este recado que repito todos os dias: Te amo, minha mãe, Maria da Graça Gomes, muitas saudades de você.”
Minha mãe tinha muitos amigos, amigos que ela adorava, exemplo do professor Aroldo Murá, Elvira Fantin e o casal Elza e Carlão. Minha mãe tinha uma inteligência acima da média, reconhecida por todos os jornalistas. Adorava a sua irmã, Tia Myrthes e adorava sua mãe Hilária Gomes. Foi exemplar irmã, mãe e ser humano notável. Com certeza um dia à verei novamente.
Te amo, mãe.
Seu filho, Jefferson”
