Ao ver em uma postagem de Facebook que Aiuruoca é um dos melhores lugares para se visitar no Brasil, o jornalista e documentarista Fernando Gabeira – Globo News – se interessou em ver de perto as belezas do local. Passou dois dias percorrendo as antigas trilhas do ouro, recolhendo imagens, histórias das montanhas e das fazendas locais.
Os curitibanos Eloi Zanetti, Elisa Carneiro e família receberam Gabeira em sua casa na Reserva do Sauá para um almoço típico mineiro. Gabeira é de Juiz de Fora, foi deputado federal, candidato por duas vezes à prefeitura do Rio de Janeiro e abandonou a carreira política para voltar a sua antiga profissão – repórter. Há cinco anos, produz, com apenas um técnico na captação de som e imagem, boas reportagens/documentários sobre os diversos lugares do Brasil.
PRODUÇÃO PARA NINGUÉM BOTAR DEFEITO
Enquanto equipes de documentaristas realizam seus trabalhos com o apoio de uma múltipla equipe técnica, Gabeira, praticamente sozinho e, com afinadíssimo senso estético, realiza um documentário por semana. Já esteve em Curitiba mostrando as operações da Lava Jato, o Museu Oscar Niemeyer e em nosso litoral, as ações da SPVS em Guaraqueçaba e Ilha do Mel. Esta produção solitária mostra que na maior parte das vezes o faro do jornalista, o saber olhar e expor o fato, muitas vezes escondido, e o conteúdo são mais importantes do que uma rica equipe de técnicos.
AIURUOCA E O TURISMO – RURAL, ECOLÓGICO E DE TRILHAS
A região de Aiuruoca no Sul de Minas está despertando para uma intensa movimentação turística. A quatro horas e meia de São Paulo e Rio de Janeiro e perto das grandes cidades do Vale do Paraíba atrai cada vez mais turistas para as Rotas do Queijo, do Azeite, dos Circuitos de Cavalgada, das caminhadas entre seus vales, do pessoal do biketour e das escaladas em seus picos, quase todos acima dos 2000 metros de altitude.
A região é rica em histórias. Até o nosso Tiradentes andou por lá, quando alferes, para desmantelar uma quadrilha conhecida por “Vira-Saias” – bandoleiros que se vestiam de mulher para assaltar garimpeiros e tropeiros. A experiência do casal Eloi Zanetti e Elisa Carneiro está sendo transferida de forma voluntária à organização dessas atividades turísticas. Elisa há pouco escreveu um texto baseado em um levantamento minucioso sobre a história oficial local, recolhido pelo historial Gilberto Furriel. Este documento servirá de apoio aos guias para informar aos turistas que visitam a região.

CAPTANDO TODAS AS REALIDADES
Tudo o que escrevo sobre Eloi Zanetti é fruto de uma longa apreciação – por vezes próxima, outras, distante – da vida e obra desse publicitário, misto de antropólogo e etnógrafo, que o Paraná e o Brasil bem conheceram nos tempos áureos do Banco Bamerindus do Brasil.
Dos anos 1980 a 1990, ao lado do publicitário Sergio S. Reis (os dois foram personagens do meu livro ‘Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses’), ele escreveu momentos definitivos da comunicação social do país, a partir da “house organ” do Bamerindus, a Umuarama Publicidade.
PRA LEMBRAR
Há muito a dizer, a rememorar sobre o trabalho artesanal de enorme qualidade que a sensibilidade de Eloi transformou em inesquecíveis páginas da publicidade brasileira. Fico em apenas dois marcos: a criação dos anúncios “Bicho do Paraná”, exaltação às nossas diferenças num Brasil que tende sempre a superestimar outros estados e regiões, esquecendo o Sul; e a série de programas semanais de televisão denominada de “Gente que faz”, a verdadeira aurora de valorização dos pequenos/grandes empreendedores, gente esquecida e nem sempre bem vista…
PESQUISADOR
Claro que a obra de Zanetti é muito mais ampla, compreende livros, pesquisas muito importantes – sobre cooperativismo no Brasil, por exemplo -, e a simpática cartilha sobre a relação médico/paciente.
Agora, na Mantiqueira ele passa, com Elisa Carneiro, a ser um ponto de apoio insuperável para quem quer conhecer os segredos e os milagres dessa enorme reserva ecológica.
NA MEDIDA CERTA
Ele tem a palavra certa, na medida certa, para definir cada espaço da serra, seus habitantes homens e bichos, tudo com o objetivo olhar dos que enxergam além das aparências.
ECO-CHATOS
Eloi não faz parte do cortejo de eco-chatos, aqueles torturados por uma falsa missão preservacionista.
Ele, tal como Gabeira, a quem recebeu e transferiu saberes, é o aguerrido defensor de realidades da Mantiqueira. Acompanhar sua “missão” por lá é obrigação patriótica e será sempre prazerosa.
