quarta-feira, 22 julho, 2026
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EXCLUSIVO: NÚMERO DE MORTES EM CURITIBA AUMENTA EM 30%

No atual ritmo, o mês de abril deve acabar com 300 mortes a mais do que o previsto

Falecimentos em Curitiba aumentaram em Abril. Foto: Daniel Castellano/SMCS

Por Rosiane Correia de Freitas

Uma cidade como Curitiba tem uma certa rotina de vida e morte. Todos os meses, na capital do Paraná, em torno de duas mil crianças nascem e outras mil pessoas morrem (segundo o IBGE), num ciclo que tem, em geral, ligeiras alterações ano após ano. Quando algo perturba essa rotina, é interessante nos voltarmos para isso para entender qual a dimensão da mudança que estamos vivendo.

Foi o que fizeram as advogadas Valéria Kotacho Lopes e Carolina de Castro Wanderley. “A gente queria entender se há subnotificação [de covid-19]”, relata Carolina. Num trabalho voluntário em parceria com o Plural, as duas registraram os falecimentos de Curitiba desde o dia 1 de abril. Descobriram que, em média, 43 óbitos estavam sendo registrados na capital.

Essa média, sozinha, queria dizer pouco. Mas comparada com as médias dos dados de 2009 a 2018 de Registro Civil do IBGE, ela mostra que no mês de abril Curitiba teve um aumento de 30% na média diária de óbitos. Ou seja, quando abril terminar no próximo dia 30, Curitiba terá em torno de 300 mortes a mais.

O registro de falecimentos sistematizado pelas advogadas também mostra que das 1036 mortes registradas no período, 192 não tiveram velório, ou seja, o corpo foi sepultado direto. Desde 26 de março o Ministério da Saúde não recomenda a realização de velório para casos ou suspeita de Covid-19.

 

OUTRAS EXPLICAÇÕES

Há outras explicações para a realização do sepultamento direto, como no caso de natimortos.

“A gente foi percebendo que há algo acontecendo. Não sabemos o que”, aponta Carolina. Das mortes analisadas pela dupla, 728 foram em hospitais e UPAs. O hospital com maior número de mortes é o Evangélico Mackenzie, com 85 falecimentos, seguido pelo Erasto Gaertner, com 60. Outras 21 mortes aconteceram em lares e asilos.

Apesar do aumento no número de mortes registradas em Curitiba, os dados das Fichas de Acompanhamento de Funeral (FAF) não permitem identificar a causa da morte, nem esclarecer as razões do aumento. Mas a comparação com os dados de 2009 a 2018 mostra que neste intervalo de 10 anos apenas duas vezes a variação de registro ficou acima de 5% em relação a média.

Em 2014 o número de óbitos foi 9,33% superior a média. Já em 2018 os registros de falecimentos ficaram 17,18% abaixo da média. Esse comportamento reforça a avaliação de que a variação em abril de 2020 é incomum.

“Podem existir outras explicações para esse aumento, mas é importante que esses dados sejam acompanhados”, completa Carolina.

O Plural solicitou que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente comentasse o resultado do levantamento. A resposta da instituição será incluída aqui quando for recebida.

(*) ROSIANE CORREIA DE FREITAS- É jornalista e coordenadora de conteúdo do Plural. Formada em Jornalismo e Mestre em Educação pela UFPR.

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