A posse do diplomata, embaixador, escritor, romancista João Almino na Academia Brasileira de Letras (ABL), ocorreu na última sexta-feira. Ele passa a ocupar a cadeira 22, antes estava nela o cirurgião plástico Ivo Pytangui, falecido no ano passado. A cerimônia de posse foi registrada pelo jornalista Nelson Gobbi, para o jornal O Globo, destacando declarações e trechos do discurso do novo “imortal”.
Em seguida algumas dessas declarações:
“— A diplomacia oferece oportunidades de conhecer diferentes culturas de forma imersiva, de estar em outras cidades e países não só como um viajante. E é uma profissão em que há o contato constante com a palavra, embora existam diferenças entre a linguagem literária e a utilizada nos textos diplomáticos — compara o escritor. — Estas condições podem estimular o ofício da escrita, desde que haja a vocação, é claro. Mas conhecer outros lugares não é determinante para escrever, é possível ser um autor sem jamais sair da sua cidade.”
RECONHECIMENTO
Em seu discurso Almino foi grato ao reconhecimento de seu trabalho literário: “Minha gratidão às acadêmicas e acadêmicos que com sua generosidade me elegeram. Sinto-me honrado em juntar-me aos membros desta instituição que, ao longo de cento e vinte anos, vem consolidando entre suas melhores tradições a da criatividade e da inovação. Expoentes dos mais variados campos têm demonstrado nesta Academia sem academicismo, independente e fiadora de independência, seu compromisso com a palavra.
“Nem todos os que me precederam na Cadeira 22 tiveram na literatura o reconhecimento principal de seu trabalho. Mas todos foram homens de cultura que externaram seu amor pelas letras.
“O patrono, José Bonifácio, o Moço, renomado professor da Faculdade de Direito do Recife e da Faculdade de Direito de São Paulo, foi expressão romântica do que havia de mais avançado em seu tempo.”
OBRA
De seus seis romances (“Ideias para onde passar o fim do mundo”, “Samba-enredo”, “As cinco estações do amor”, “O livro das emoções”, “Cidade livre” e “Enigmas da primavera”), os cinco primeiros são ambientados em Brasília, a cidade em que João Almino viveu por mais tempo: entre idas e vindas são 12 anos. A referência à cidade remonta ao início de sua construção, quando a nova capital federal era habitada apenas por estrangeiros.
No campo da não-ficção, Almino escreveu ensaios literários e obras de história e filosofia política que se tornaram referência na análise da democracia e do autoritarismo, como “Os democratas autoritários” (1980), “A idade do presente” (1985) e “Era uma vez uma Constituinte” (1985). O autor, no entanto, hoje prefere levar suas reflexões políticas para a área da ficção. (Fonte: O Globo)

