quinta-feira, 9 julho, 2026
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ESTILO DE VIDA: CHAVES DA EFICÁCIA DO MÉTODO MONTESSORI

Depois de cem anos, continua a ser um dos métodos pedagógicos mais bem-sucedidos da história

 

Ignasi De Bofarull | Aleteia

Muitas escolas de Educação Infantil e Primária têm oscilado em suas metas e objetivos. A criatividade, sempre muito importante, converteu-se no centro. E, acima de tudo, a criança deve brincar para aprender e estar sempre motivada.

Brincar é apropriado como aprendizagem, mas há exageros de inovação constante que desorientam professores, crianças e pais.

Um exemplo é a presença dos games em muitas escolas. Parece que a norma é experimentar, tentar ser mais inteligente, adaptável em qualquer ambiente. São ferramentas importantes, mas não podem ser os objetivos centrais.

Os objetivos centrais estão no desenvolvimento da maturidade e autonomia da criança, que descobre o mundo em uma variedade e qualidade de conteúdos básicos onde a leitura e a escrita atenta estão no centro.

A criança deve ser protagonista da aprendizagem, seu progresso deve ocorrer em contato com a realidade, o professor deve alimentar sua iniciativa espontânea.

E devemos superar a velha e coercitiva escola, na qual a chave era o silêncio da criança, sua obediência cega ao professor e os exercícios mecânicos.

No entanto, os programas e as novas metodologias acabam por não entrar em detalhes sobre qual é o papel do professor e da própria escola, em meio a tanta complexidade de ferramentas.

RESPONDENDO QUESTÕES

Tendo esse problema em mente, vamos olhar para um método, o Método Montessori, que poderia responder a muitas dessas questões.

Um fato importante a favor do Método Montessori é o constante aumento de escolas públicas e privadas que aderem a ele em todo o mundo.

Mas não de qualquer maneira: o segredo do sucesso deste sistema é implementar o método com autêntica fidelidade aos princípios estabelecidos pela pedagoga italiana Maria Montessori (1870-1952) há 100 anos e que hoje a AMI (Associação Montessori Internationale) segue defendendo.

Em nossa opinião, esta longevidade está em princípios básicos – propomos apenas alguns – que estão enraizados na qualidade dos materiais de aprendizagem originais, muito bem testados e confirmados ao longo das décadas. Vamos concentrar no período que vai de 3 a 9 anos.

LONGEVIDADE DO MÉTODO MONTESSORI

O método Montessori pouco mudou nos últimos cem anos, porque é altamente coerente, é bem estruturado, você obtém resultados mensuráveis, e as crianças progridem em autonomia, atenção, num caminho de aprendizagem que os oferece um forte senso de auto eficácia.

Os alunos querem aprender. Quer dizer, os alunos decidem livremente trabalhar com tranquilidade e felizes – a alegria é uma característica dessas escolas -, descobrindo que são capazes de realizar tarefas desafiadoras com sucesso.

A repetição das atividades gera neles hábitos nos quais se realiza a autocorreção dos erros e, assim, capacita-os cada vez mais para o trabalho sensorial e intelectual.

CONHECIMENTO SENSORIAL E MOTOR

O Método Montessori parte do concreto e sensorial, progressivamente, em direção ao abstrato e mental, através de materiais criados para este fim.

A criança primeiro aprende com o corpo (olhos, mão, tato, movimento) e então internaliza essas percepções em processos gradualmente mais racionalizados, onde os dados da experiência direta constroem as categorias de compreensão.

O AMBIENTE DA SALA DE AULA É TRANQUILO E HARMONIOSO

O silêncio é mais um elemento da harmonia e da ordem da sala de aula Montessori. Essa harmonia se reflete no fato de que a sala de aula é projetada para se adequar à criança, à sua altura, a seus braços, a suas mãos. E essa harmonia gera paz.

Pode-se dizer que o aprendizado Montessori é uma experiência estética em que a criança interpreta belamente a partitura (metáfora musical) dos materiais que ela toca e manipula.

A sala de aula é harmoniosamente bela e os materiais são tão ajustados, simples e cheios de significado que o aluno se sente impelido a operá-los.

A ESCOLA, O MÉTODO, OS MATERIAIS MONTESSORI SÃO ASSOCIADOS A UM FIM

Improvisação: essa é a sensação que muitas crianças e salas de aula primárias deixam em seus observadores, em muitas escolas por aí afora. É claro que existe um currículo estabelecido por lei, mas nos últimos anos tem-se creditado mais criatividade no trabalho por projetos do que nos parâmetros do currículo oficial.

O Método Montessori é muito criterioso nesse âmbito: sabe para onde vai e como chegar do começo ao fim: dos 3 aos 18 anos.

O fim é claro e coerente com uma antropologia e filosofia da educação voltadas para o desenvolvimento e a aprendizagem, onde a criança amadurece ao ritmo de sua natureza.

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