segunda-feira, 6 julho, 2026
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Rochas brasileiras projetam o Brasil no mercado global

Assessoria – Poucas indústrias brasileiras conseguem reunir, simultaneamente, capilaridade produtiva, forte presença internacional e capacidade de agregar valor como o setor de rochas naturais. Impulsionada por uma combinação de riqueza geológica, organização institucional e avanço comercial, a indústria nacional consolidou em 2025 o melhor desempenho da sua história e reforçou seu papel como segmento estratégico para a economia brasileira.

O recorde histórico alcançado pelo setor ajuda a dimensionar essa força. As exportações brasileiras de rochas naturais fecharam 2025 com faturamento de US$ 1,48 bilhão, um crescimento de 17,5% em relação ao ano anterior. As vendas externas somaram 2,11 milhões de toneladas, salto de 2,9% na comparação com 2024, em um movimento sustentado não apenas por volume, mas também pela valorização do produto brasileiro, refletida com o aumento de 14,2% no preço médio das exportações.

“Os números impressionam, especialmente por terem sido alcançados em um ano desafiador, marcado pelo tarifaço”, avaliou Tales Machado, presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). “Se esses materiais tivessem mantido o ritmo de vendas do primeiro semestre, o setor poderia ter alcançado um faturamento próximo de US$ 1,6 bilhão em 2025”, completou.

O resultado consolida um novo patamar para uma cadeia produtiva que vai além da extração mineral. O setor brasileiro de rochas naturais passou a atrair os olhares e a ocupar mais espaço em mercados de arquitetura, construção e design, ampliando a especificação de materiais de alto valor agregado e fortalecendo sua presença em iniciativas internacionais.

A liderança dessa indústria tem endereço conhecido em território nacional. O Espírito Santo permanece como principal polo, concentrando 78,5% das exportações brasileiras em 2025. O eixo central dessa indústria, entretanto, divide o protagonismo com outros polos nacionais. O destaque vai para o Ceará que registrou alta de 141,3% nas exportações, chegando a um share de 7,4%. O resultado foi impulsionado pela produção de quartzitos, hoje considerada a rocha natural mais importante para a indústria brasileira e representando cerca de metade de todas as exportações do setor, por aliar a estética do mármore à resistência do granito.

Apesar do crescimento acelerado do estado nordestino, é Minas Gerais que ocupa a segunda colocação no ranking nacional, com uma fatia de 9,1% das exportações brasileiras em 2025, sustentado por um perfil produtivo voltado a nichos específicos, como a ardósia. “O compromisso de manter diálogo próximo com os polos produtivos é fundamental para sustentar a força e a competitividade da indústria brasileira de rochas”, afirmou o superintendente da Centrorochas, Giovanni Francischetto.

Mercados estratégicos e demanda internacional

O mapa produtivo conecta o Brasil a alguns dos maiores centros consumidores do planeta. Os Estados Unidos mantiveram, em 2025, a posição de principal comprador das rochas naturais brasileiras, respondendo por 53,6% das exportações, com faturamento de US$ 795 milhões. A relação com o país é estratégica para a indústria nacional, mesmo após o ambiente de instabilidade provocado pelas tarifas adicionais impostas em 2025.

De acordo com a Centrorochas, a intensificação do trabalho de diplomacia, conduzido pelo setor desde o anúncio das tarifas alfandegárias, tornou-se parte central da estratégia comercial. “É fundamental mantermos uma agenda contínua de posicionamento, ampliando a presença e a especificação dos materiais brasileiros, especialmente no segmento high-end”, destacou Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas.

A China ocupou o segundo lugar, com US$ 260,1 milhões e participação de 17,5%, o que reforçou sua relevância estratégica. As exportações brasileiras para o país asiático cresceram de US$ 154,9 milhões em 2021 para US$ 260,1 milhões em 2025, movimento puxado principalmente pela demanda por granito, seguido por quartzito e mármore.

Completando o ranking, a Itália registrou US$ 117,7 milhões e crescimento expressivo de 42,2% no período. México, Reino Unido e Espanha compõem o grupo dos principais mercados compradores, evidenciando uma expansão geográfica que reduz dependências históricas e amplia oportunidades comerciais.

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