A máxima de que Deus é brasileiro porque nos poupou de desastres naturais como o furacão e o terremoto, parece estar com seus dias contados.
Nesta segunda-feira (18), a terra balançou em Rio Branco do Sul, na Grande Curitiba, deixando um saldo pequeno de apocalípticos à beira de um ataque de nervos. Na escala Richter, o tremor foi de 3,5 graus em uma escala de 0 a 9. Nas redes sociais, contudo, o chão das casas por pouco não se abriu, as labaredas lamberam as canelas dos moradores e tudo ou quase tudo foi arrastado para o vórtice do fim do mundo. Valha-nos Deus.
BOLETIM REVISADO
Parte da culpa foi do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo.
Na primeira medição, informou-se que os tremores haviam ocorrido ainda mais fortes na região de Itaperuçu e São Jerônimo da Serra, no Norte Pioneiro. Depois da revisão, por volta de 9h30 da manhã, o relato foi mais comedido. O abalo sísmico ficou restrito a Rio Branco do Sul, epicentro do tremor que foi sentido a 100 quilômetros de distância.
Os sismólogos da USP também erraram na profundidade. O primeiro boletim, divulgado por volta de 6h30 da manhã, indicava que a profundidade do tremor era de 50 quilômetros, nada desprezível, portanto. Horas depois, o boletim revisado dizia que o abalo representava apenas 10% da profundidade divulgada inicialmente: 5 quilômetros.
O CÉU HÁ DE DESTELHAR-SE
Como se já não nos faltassem catástrofes, os catastrofistas resolveram derramar previsões catastróficas. A essa hora, Chik Jeitoso, aquele bruxo que ronda o Centro Cívico, está pronto a ver o céu destelhar-se e o céu rachar sob nossos pés.
ANTES DO TERREMOTO, A CORRUPÇÃO
Na política, os mais afoitos encarregaram-se de transformar o senador Roberto Requião (PMDB-PR) em um terremoto digno de fazer o sismógrafo paranaense registrar níveis inéditos. É de se duvidar, salvo as pantomimas, se faria alguma diferença à nossa sensaborona vida pública.
Ou ao centro do poder, em Brasília, onde a corrupção encarregou-se de passar à frente de qualquer terremoto e abalar sozinha nossas estruturas.
Faltou dar o desfecho cômico à máxima do Deus brasileiro. Ele nos poupou dos furacões, das inundações e terremotos. Mas nos deu o povo que aqui se encontra. É cruel e injusto, mas com um quê de verdade.
