Até o presidente Trump sabe que a coronavírus no Brasil exige forte combate em todas as frentes.

É quase impossível não centralizar noticiário e comentários fora do tema da pandemia.
Ela domina o dia a dia, com cenas definitivas, como as dos sepultamentos em massa, em São Paulo, e pacientes morrendo à porta de hospitais – como em Manaus; flagrantes que intrigam e atemorizam, assim como outro, aquele com criaturas, com ares devotados, aparências humildes, ajoelhadas defronte um supermercado de João Pessoa. Estariam rezando – é o que alegaram seus patrões – “pela abertura do comércio e o fim do isolamento”.
Acostumei-me ao longo de minha vida jornalística a trabalhar com o instigante fenômeno religioso, a ponto de me apaixonar pelo assunto e até, em certas situações, ser apontado como “um especialista em religião…” Um exagero evidente, que confunde informação com especialização ou grau universitário da área.
MP DO TRABALHO
Na verdade, o fenômeno religioso, sempre quis entendê-lo, a partir dos estudos de Mircea Elliade e investigações de um sem número de antropólogos, historiadores e sociólogos.
As relações do homem com o sagrado, realidade exaustivamente examinada por estudiosos e dogmatizadas pelas religiões institucionalizadas ou não, ampliam meu olhar sobre os dias de pandemia. E por justiça preciso registrar: o MP do Trabalho está apurando a aparente coerção a que teriam submetidos os empregados “rezadores”, curiosamente, como mostram fotos, comandados por um “rezador chefe”, disposto em lugar de liderança.
Certamente mimetismo dos rezadores do terço e o “puxador da reza”.

ALÉM DAS REZAS
Muito além das rezas – igrejas católicas estão fechadas para missas, por orientação dos bispos – há que se entender outras distorções imediatamente mais danosas: na medida em que o Brasil vai rompendo com o isolamento horizontal, crescem os óbitos por coronavírus.
É só comparar as duas realidades, assunto que não agrada aos que ainda dizem que tudo não passaria de “uma gripezinha”. Alguns empresários e políticos fazem ressoar esse coro…
FIQUEM EM CASA
Agem bem o contrário de gente com a cabeça no lugar, como os dirigentes do Itaú, que doaram R$ 1 bilhão para enfrentamento da pandemia que, basicamente tem de ser guerreada a partir do isolamento. Essa é, por exemplo, opinião do médico Paulo Chachap, diretor do Hospital Sírio-Libanês, reafirmada no dia de hoje.
Números falam, ganham som e fazem advertências definitivas sobre a letalidade de um vírus que vai ceifando vidas com voracidade incomensuravelmente maior do que a Peste Negra da Europa, anos 1300, e a Gripe Espanhola. Ou até do que as bíblicas Pragas do Egito.
TRUMP QUER PROIBIR
A realidade brasileira é tão preocupante que o falastrão Trump não teve dificuldades de contraditar seu amigo, o presidente Bolsonaro, ao pedir ao governador da Flórida que cancele voos para o Brasil. Não quer importar o vírus, o covid-19 tão mal combatido pelo Brasil, segundo disse o presidente norte-americano.
QUEM VIVER, VERÁ
Como exceção, pois, tenho agora que aplaudir Trump, e apontar essas realidades para patrões, empregados, políticos, chefes de família que simplesmente querem romper com o isolamento.
Para eles uma advertência: ouçam a voz da Ciência e observem casos que ocorrem até como o da disciplinada Alemanha de Merkel: afrouxando o isolamento, o país já está lamentando crescimento de óbitos.
Quem sobreviver ao covid-19, conferirá quem tem razão.
